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Descoberta em Cabrera revela novas camadas da ocupação histórica no Mediter

Equipe de pesquisadores confirmou a existência de construções datadas entre os séculos 10 e 12

Por Sputnik Brasil 29/03/2026 09h09
Descoberta em Cabrera revela novas camadas da ocupação histórica no Mediter
Achados unem vestígios da era islâmica a cerâmicas talaióticas - Foto: CC BY 3.0 / Dreizung / Sant Agustí Eastern Talayot with blocked door

Escavações recentes em Sa Font, na ilha de Cabrera, trouxeram à tona um conjunto raro de estruturas e artefatos que enriquecem a compreensão sobre as diferentes fases da ocupação humana no Mediterrâneo Ocidental. Os achados unem vestígios da era islâmica a cerâmicas talaióticas, revelando a complexidade e a diversidade histórica da região.

A equipe liderada por Mateu Riera e Helena Kirchner confirmou a existência de construções datadas entre os séculos X e XII, período correspondente a Al‑Andalus, segundo o Diario de Mallorca. Essas descobertas reforçam evidências anteriores, quando mais de mil fragmentos de cerâmica islâmica já apontavam para a presença de assentamentos na área.

Durante a campanha mais recente, os arqueólogos identificaram estruturas que sugerem ocupação contínua, entre elas uma parede de cinco metros erguida com grandes blocos irregulares. A análise indica que essa muralha foi reparada no período islâmico, embora sua origem possa remontar a épocas ainda mais antigas, possivelmente bizantinas ou pré-bizantinas.

Conjunto de cerâmica talaiótica encontrado na área ritual do túmulo escalonado de Son Ferrer
Conjunto de cerâmica "talaiótica" encontrado na área ritual do túmulo escalonado de Son Ferrer

Além da muralha, foram identificados diversos fossos e cavidades da mesma época, cuja função ainda está sob investigação. Os pesquisadores buscam determinar se esses espaços serviam a atividades domésticas, agrícolas ou industriais, o que pode revelar novos aspectos do cotidiano em Cabrera durante a Idade Média.

A descoberta mais surpreendente foi a presença de cerâmicas talaióticas — a primeira identificação desse tipo no sítio. Associada a comunidades pré-históricas das Baleares, essa cerâmica feita à mão indica que Cabrera integrava antigas redes de ocupação ou intercâmbio, muito antes da chegada de romanos e bizantinos.

O sítio também revelou cerâmicas bizantinas dos séculos VI e VII, incluindo peças locais e importadas do Norte da África e do Mediterrâneo Oriental, evidenciando rotas comerciais ativas. Em contrapartida, materiais romanos e pré-romanos surgiram em menor quantidade, oferecendo pistas sobre mudanças nos padrões de povoamento.

Com apoio do Parque Nacional de Cabrera e financiamento europeu, o projeto está previsto para seguir até 2029. As próximas etapas buscarão aprofundar o estudo da cerâmica talaiótica e esclarecer o uso das estruturas islâmicas. Cada nova camada revelada reforça Cabrera como um ponto-chave para compreender a evolução cultural das Baleares ao longo de milênios.