Política

Sem chapa no PT, Paulão só não disputa reeleição no MDB se não quiser

Deputado deve disputar a reeleição, mas precisa de uma nominata que viabilize a chapa

Por Blog do Edivaldo Junior 29/03/2026 09h09
Sem chapa no PT, Paulão só não disputa reeleição no MDB se não quiser
Deputado Paulão deve disputar a reeleição em Alagoas - Foto: Assessoria

Faltando uma semana para encerrar o prazo de filiação de quem pretende ser candidato nas eleições deste ano, a Federação Brasil (PT/PV/PCdoB) ainda não tem perspectivas de montar uma chapa de deputado federal competitiva em Alagoas.

O deputado federal Paulão (PT) deve disputar a reeleição, mas precisa de uma nominata que viabilize a chapa. Nas eleições de 2022, o PV garantiu cerca de 70% dos votos da federação, viabilizando a eleição dele e de Luciano Amaral. Com a saída do grupo de LA para o PSD, a composição perdeu força para as eleições deste ano.

Sob pressão da direção nacional, o PT de Alagoas trabalha para tentar estruturar a chapa, mas enfrenta dificuldades objetivas. A filiação de Daniel Barbosa está praticamente descartada, assim como a de outros nomes que hoje estão no PSD ou no MDB.

Diante desse cenário, Paulão pode ter no MDB uma alternativa concreta para disputar a reeleição. O caminho está posto. E não é por acaso.

Historicamente, o MDB — sob a liderança de Renan Calheiros e Renan Filho — foi decisivo para a eleição de um deputado federal do PT em Alagoas nas últimas duas disputas. A aliança garantiu viabilidade eleitoral ao partido, mesmo sem uma nominata própria robusta.

Agora, o movimento pode ir além. E ganhar novo formato.

Em conversa com o blog do Edivaldo Júnior, o líder do MDB na Câmara dos Deputados, Isnaldo Bulhões Júnior, deixou claro que o partido está aberto a receber Paulão, caso o PT não consiga estruturar sua chapa.

Ele foi procurado em Brasília por lideranças nacionais do PT. “Eu não tenho como ajudar a montar a nominata lá. Todos nós sabemos das dificuldades de encontrar nomes disponíveis hoje na política para disputar as eleições de federal ou estadual. Eu disse aos interlocutores que Paulão seria um grande nome aqui no MDB”, afirmou.

Direto. Sem margem para dúvida. A leitura é que se não houver viabilidade dentro da federação, se o PT não conseguir montar a chapa, o MDB pode oferecer não apenas espaço, mas condições reais de disputa. Mais que isso, pode garantir competitividade em uma eleição cada vez mais exigente em termos de voto nominal e desempenho coletivo.

Nos bastidores, a avaliação é de que Paulão “só não será candidato pelo MDB se não quiser”. A estrutura já existente, somada aos nomes que vêm sendo agregados à chapa, cria um ambiente favorável para quem busca segurança eleitoral.

É mais que convite. É afirmação de parceria. "Esse movimento seria possível dentro na nossa aliança com o presidente Lula", aponta Isnaldo. Ele deixa claro que após a eleição, não haveria dificuldade de liberar Paulão para se filiar novamente no PT.

Nominata

O MDB monta uma nominata para fazer até três federais em Alagoas. E pode ir além. Com nomes como Isnaldo Bulhões, Rafael Brito, Tereza Nelma, Cláudia Balbino, Cristiano Matheus, Chicão, Renato Filho, Fátima Santiago e Dr. Wanderley, o partido já trabalha com uma base consistente. A entrada de um deputado com mandato pode elevar o patamar da disputa. E mudar a lógica.

Em um movimento incomum, mas politicamente viável, o PT pode acabar elegendo um deputado federal em Alagoas dentro da chapa do MDB — repetindo, de outra forma, uma parceria que já deu resultado nas urnas. No fim das contas, a equação é simples: sem chapa competitiva, não há mandato. Com o MDB, o jogo muda. Mas essa é outra história.