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Astrônomos detectam colisão de duas galáxias

Fenômeno foi identificado através do radiotelescópio MeerKAT, na África do Sul

Por Redação com Sputnik Brasil 05/03/2026 10h10
Astrônomos detectam colisão de duas galáxias
Foto: © Foto / ALMA/ESO/NAOJ/NRAO/NASA/ESA/W. M. Keck Observatory

Cientistas detectaram um feixe cósmico bilhões de vezes mais brilhante que um maser normal numa distância de cerca de 8 bilhões de anos-luz do planeta Terra. O fenômeno se trata de um gigamaser, gerado pela colisão de duas galáxias distintas. A luz emitida amplificada por uma lente permitiu que o radiotelescópio MeerKAT registrasse o fenômeno intenso e mais longínquo já identificado.

O fenômeno é resultado de uma colossal colisão galáctica, na qual o gás comprimido estimula moléculas de hidroxila a emitir ondas de rádio extremamente amplificadas.

A descoberta foi possível graças ao radiotelescópio MeerKAT, na África do Sul, e ao alinhamento raro com uma galáxia no caminho da luz, que funcionou como uma lente gravitacional. Esse efeito ampliou o sinal, permitindo a detecção do fenômeno com clareza inédita. Segundo os pesquisadores, trata-se do equivalente em rádio a um laser, porém em escala cósmica.

Ilustração de uma galáxia distante a 8 bilhões de anos-luz de distância (vermelha), ampliada por uma galáxia em disco em primeiro plano, resultando em um anel vermelho. A decomposição da luz de rádio em diferentes cores, como faz um prisma, revela o gigamaser de hidroxila (linha colorida no canto superior direito)
Ilustração de uma galáxia distante a 8 bilhões de anos-luz de distância (vermelha), ampliada por uma galáxia em disco em primeiro plano, resultando em um anel vermelho. A decomposição da luz de rádio em diferentes cores, como faz um prisma, revela o gigamaser de hidroxila (linha colorida no canto superior direito)

Lasers e masers surgem quando átomos ou moléculas excitados são estimulados a emitir fótons idênticos, criando um efeito de amplificação em cascata. Na natureza, masers podem ser encontrados em cometas, atmosferas planetárias, regiões de formação estelar e remanescentes de supernovas. Em ambientes mais extremos, como buracos negros supermassivos ou fusões de galáxias, surgem megamasers — e, em casos ainda mais raros, os gigamasers.

O objeto recém-detectado, denominado HATLAS J142935.3–002836, pertence a essa categoria excepcional. Ele é bilhões de vezes mais brilhante que um maser comum, resultado direto da energia liberada pela fusão de duas galáxias. As interações gravitacionais intensas comprimem o gás e desencadeiam surtos de formação estelar, cujos fótons excitam moléculas de hidroxila e produzem a emissão poderosa observada.

A luz desse gigamaser viajou 7,82 bilhões de anos-luz até chegar ao MeerKAT, superando o recorde anterior de distância e estabelecendo-se como o mais brilhante já registrado. A amplificação adicional causada pela lente gravitacional foi fundamental para revelar detalhes que, de outra forma, permaneceriam invisíveis.

Para os cientistas, a descoberta demonstra o potencial do MeerKAT para estudar megamasers e gigamasers em grandes distâncias, oferecendo pistas valiosas sobre fusões galácticas, fluxos de gás e a evolução das galáxias no Universo primitivo.