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Marcha do MTC cobra apoio ao campo e reivindica políticas públicas em Alagoas

Mobilização reuniu mais de 300 famílias e teve início na Praça da Faculdade

Por Jamerson Soares 22/04/2026 19h07 - Atualizado em 22/04/2026 19h07
Marcha do MTC cobra apoio ao campo e reivindica políticas públicas em Alagoas
Marcha teve início na Praça da Faculdade, em Maceió - Foto: Cortesia

Nesta quarta-feira (22), mais de 300 famílias participaram de uma marcha organizada pelo Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Campo (MTC), em Alagoas, com o objetivo de cobrar ações do poder público para fortalecer a agricultura familiar e garantir melhores condições de vida no campo.

A mobilização teve início na Praça da Faculdade, em Maceió, e integra a jornada de luta do movimento em defesa do território camponês e da justiça climática. Entre as principais reivindicações estão o fortalecimento de programas sociais, como o do leite, a ampliação da distribuição de sementes crioulas e a criação de políticas que incentivem a permanência da juventude no campo, incluindo o apoio às escolas família agrícola.

Segundo o dirigente nacional do MTC, Adriano Ferreira, o movimento também buscou diálogo com órgãos do governo federal para destravar demandas históricas.

“Nosso objetivo foi cobrar mais ações para fortalecer os programas e garantir condições para que as famílias permaneçam no campo com dignidade”, afirmou.

O movimento relatou dificuldades na interlocução com ministérios como o do Desenvolvimento Agrário (MDA), além de entraves junto à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e outros órgãos federais. Ainda assim, após a mobilização, foram estabelecidas agendas com diferentes pastas, incluindo o Ministério da Ciência e Tecnologia, o Ministério da Cultura e a Secretaria-Geral da Presidência.


Durante a jornada, o MTC também realizou um ato na sede da Embrapa Alimentos e Territórios, em Alagoas, para denunciar o que considera falta de diálogo com as comunidades camponesas.

De acordo com o movimento, cerca de 2 mil famílias organizadas não têm tido suas demandas atendidas pela instituição, que, segundo o grupo, estaria priorizando projetos de organizações não governamentais em detrimento das necessidades locais.

“A Embrapa é uma empresa pública e precisa atender a todos, inclusive os movimentos sociais e agricultores organizados. Não pode escolher quem vai atender”, criticou o dirigente.

O MTC defende que o desenvolvimento sustentável no campo só é possível com a participação direta das comunidades, valorização dos saberes tradicionais e compromisso com a melhoria das condições de vida da população rural.

O movimento também cobrou maior presença da ciência no cotidiano das famílias camponesas e pediu que a sociedade acompanhe a atuação dos órgãos públicos no estado.