Ciência, tecnologia e inovação
Pesquisadores encontram megacorredor de fósseis de baleias no Índico
Descoberta pode revelar novas espécies
Um cemitério submarino foi identificado no Oceano Índico, entre a Austrália e a Antártida, reunindo restos de baleias ao longo de cerca de 1.200 quilômetros. O estudo, publicado na revista Nature, registrou 485 locais com fósseis e carcaças, além de cinco quedas de baleias ainda ativas, fenômeno em que os corpos afundam e passam a sustentar comunidades de organismos.
A pesquisa indica que os fósseis têm idades entre 120 mil anos e 5,3 milhões de anos. Entre os achados está uma nova espécie extinta de baleia-bicuda, batizada de Pterocetus diamantinae, encontrada a quase 6.900 metros de profundidade.
Os cientistas observaram comunidades biológicas em profundidades superiores às conhecidas até então, ampliando em mais de 2.500 metros o limite registrado para esse tipo de ecossistema. Foram documentados 35 grupos de macrofauna, incluindo vermes que perfuram ossos, estrelas-serpente e bactérias capazes de sobreviver sem luz solar.
A concentração de restos na chamada Zona Diamantina pode estar ligada à rota migratória das baleias, às condições favoráveis de alimentação e à topografia local, que funcionaria como armadilha natural para carcaças. A baixa taxa de sedimentação da região também contribui para a preservação dos ossos por milhões de anos.
Segundo os pesquisadores, o achado oferece uma oportunidade única para compreender a evolução das baleias-bicudas e os ecossistemas das grandes profundezas, funcionando como um arquivo natural da história desses mamíferos marinhos.


