Ciência, tecnologia e inovação
Planetas gigantes sugerem possível padrão na formação do universo
Cientistas realizaram inventário químico de planetas localizados no sistema HR 8799
Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em San Diego revelaram que o processo do nascimento de planetas gigantes pode seguir um padrão no universo. Os cientistas analisaram três planetas do sistema HR 8799, que fica a cerca de 133 anos-luz de distância da Terra.
A pesquisa sugere que esses planetas distantes são muito parecidos quimicamente com Júpiter e Saturno, e apresentam uma "receita'' de elementos pesados praticamente idênticos à dos gigantes do Sistema Solar.
“É interessante ver que um sistema com condições bastante diferentes do nosso formou algo parecido, porque isso ajuda a entender as etapas da formação planetária. Mesmo em condições físico-químicas diferentes, o processo pode gerar planetas similares. Isso levanta a questão: é algo uniforme em diversos sistemas ou são casos especiais? Quais são os limites dessa ‘receita de bolo’ nos discos protoplanetários?”, afirma Pedro Bernardinelli, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP.
Descobertas do estudo
A pesquisa realizou um inventário químico detalhado de três planetas gasosos massivos (HR 8799 c, d e e). Pela primeira vez, com o uso do telescópio James Webb, em um sistema com vários planetas, foi possível detectar uma lista completa de moléculas, incluindo água (H2O), metano (CH4) e dióxido de carbono (CO2).
A novidade foi a detecção direta de sulfeto de hidrogênio (H2S), ou enxofre. Como o enxofre costuma permanecer em estado sólido durante a formação planetária, encontrá-lo em altas quantidades prova que esses planetas cresceram "engolindo" grandes quantidades de rochas e gelo (sólidos), e não apenas gás.
Como esses gigantes se formam ?
A descoberta ajuda a resolver um debate sobre como esses monstros espaciais nascem. O alto nível de metais encontrado (até nove vezes o valor da estrela hospedeira) favorece a teoria da "acreação de núcleo": a ideia de que um núcleo sólido de rocha e gelo se forma primeiro e, depois de ficar bem grande, começa a atrair e "sugar" todo o gás ao seu redor.
Os dados indicam que esses planetas foram "comilões" eficientes, capturando cerca de 600 vezes a massa da Terra em metais (elementos pesados) do disco de poeira original.
Um dos pontos destacados na pesquisa é a detecção de sulfeto de hidrogênio (H2S), ou enxofre. O material é encontrado em estado sólido no espaço, e encontrá-lo em grandes quantidades prova que esses gigantes cresceram ''engolindo'' quantidades abundantes de materiais sólidos durante a formação.
Formação do universo
A conclusão é que a natureza parece usar mecanismos parecidos na criação dos gigantes gasosos, independentemente da massa do planeta ou da distância em que ele está da estrela.
O alto nível de metais encontrado (até nove vezes o valor da estrela hospedeira) favorece a teoria da "acreação de núcleo": a ideia de que um núcleo sólido de rocha e gelo se forma primeiro e, depois de ficar bem grande, começa a atrair e "sugar" o gás ao seu redor.


