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Planetas gigantes sugerem possível padrão na formação do universo

Cientistas realizaram inventário químico de planetas localizados no sistema HR 8799

Por Redação com G1 18/02/2026 13h01
Planetas gigantes sugerem possível padrão na formação do universo
Planeta Júpiter - Foto: Reprodução


Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em San Diego revelaram que o processo do nascimento de planetas gigantes pode seguir um padrão no universo. Os cientistas analisaram três planetas do sistema HR 8799, que fica a cerca de 133 anos-luz de distância da Terra. 

A pesquisa sugere que esses planetas distantes são muito parecidos quimicamente com Júpiter e Saturno, e apresentam uma "receita'' de elementos pesados praticamente idênticos à dos gigantes do Sistema Solar.

“É interessante ver que um sistema com condições bastante diferentes do nosso formou algo parecido, porque isso ajuda a entender as etapas da formação planetária. Mesmo em condições físico-químicas diferentes, o processo pode gerar planetas similares. Isso levanta a questão: é algo uniforme em diversos sistemas ou são casos especiais? Quais são os limites dessa ‘receita de bolo’ nos discos protoplanetários?”, afirma Pedro Bernardinelli, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP.

Descobertas do estudo

A pesquisa realizou um inventário químico detalhado de três planetas gasosos massivos (HR 8799 c, d e e). Pela primeira vez, com o uso do telescópio James Webb, em um sistema com vários planetas, foi possível detectar uma lista completa de moléculas, incluindo água (H2O), metano (CH4) e dióxido de carbono (CO2).

A novidade foi a detecção direta de sulfeto de hidrogênio (H2S), ou enxofre. Como o enxofre costuma permanecer em estado sólido durante a formação planetária, encontrá-lo em altas quantidades prova que esses planetas cresceram "engolindo" grandes quantidades de rochas e gelo (sólidos), e não apenas gás.

Como esses gigantes se formam ? 

A descoberta ajuda a resolver um debate sobre como esses monstros espaciais nascem. O alto nível de metais encontrado (até nove vezes o valor da estrela hospedeira) favorece a teoria da "acreação de núcleo": a ideia de que um núcleo sólido de rocha e gelo se forma primeiro e, depois de ficar bem grande, começa a atrair e "sugar" todo o gás ao seu redor.

Os dados indicam que esses planetas foram "comilões" eficientes, capturando cerca de 600 vezes a massa da Terra em metais (elementos pesados) do disco de poeira original.

Um dos pontos destacados na pesquisa é a detecção de sulfeto de hidrogênio (H2S), ou enxofre. O material é encontrado em estado sólido no espaço, e encontrá-lo em grandes quantidades prova que esses gigantes cresceram ''engolindo'' quantidades abundantes de materiais sólidos durante a formação.

Formação do universo

A conclusão é que a natureza parece usar mecanismos parecidos na criação dos gigantes gasosos, independentemente da massa do planeta ou da distância em que ele está da estrela.

O alto nível de metais encontrado (até nove vezes o valor da estrela hospedeira) favorece a teoria da "acreação de núcleo": a ideia de que um núcleo sólido de rocha e gelo se forma primeiro e, depois de ficar bem grande, começa a atrair e "sugar" o gás ao seu redor.