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Restos mortais de crianças do 5º milênio a.C. são escavados no Irã

Descoberta revela intensidade de rituais funerários

Por Sputnik Brasil 17/02/2026 09h09
Restos mortais de crianças do 5º milênio a.C. são escavados no Irã
Sítio arqueológico no Irã - Foto: © AP Photo / Ebrahim Noroozi

Arqueólogos iranianos identificaram dois raros enterros pré-históricos no noroeste do Irã, trazendo à tona práticas funerárias pouco conhecidas do quinto milênio a.C.

Durante escavações nas ruínas de antigos edifícios na região de Chaparabad, entre 2021 e 2023, foram encontrados os restos de duas crianças que morreram pouco antes, durante ou logo após o parto. Os sepultamentos ocorreram em vasos de cerâmica associados à cultura Dalma, conforme detalhado em artigo publicado na revista Archaeological Research in Asia.

Segundo o portal Phys.org, enterros de prematuros, recém-nascidos e bebês são pouco frequentes na arqueologia, em parte porque ossos infantis têm menor probabilidade de preservação ao longo de milhares de anos. Além disso, crianças pequenas frequentemente não eram consideradas pessoas de pleno valor, o que resultava em rituais de sepultamento distintos dos adultos ou em túmulos afastados dos demais.

Os dois enterros estavam localizados a poucos metros um do outro, cada qual em uma sala diferente do sítio arqueológico. Em ambos os casos, os pesquisadores encontraram restos infantis em recipientes cerâmicos, sendo que um dos esqueletos estava preservado em cerca de 90% — um achado considerado excepcional.

Uma análise antropológica indicou que os ossos pertenciam a crianças que morreram entre 36 e 38 semanas após a concepção, ou seja, natimortos ou prematuros que faleceram durante ou logo após o parto.

Apesar de contemporâneos, os rituais de sepultamento apresentaram diferenças. Em um dos vasos, junto aos restos humanos, foram encontrados ossos de ovelhas ou cabras, tanto dentro quanto ao lado do recipiente. Os locais de sepultamento também variaram: um estava em uma possível despensa e o outro, possivelmente, em uma cozinha, segundo os autores do estudo.

Por Sputinik Brasil