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Estudo revela que 80% dos corais do mundo sofreram branqueamento
Imagens de satélite auxiliaram na medição da temperatura da superfície do mar e do estresse térmico acumulado
O terceiro evento global de branqueamento dos corais atingiu cerca de 80% desses organismos em todo o mundo, de acordo com um estudo internacional publicado na revista científica "Nature Communications" nesta semana. A última fase desse fenômeno ocorreu entre 2014 e 2017.
Segundo a pesquisa, os recifes foram afetados em níveis moderados ou severos, e em 35% das áreas monitoradas a mortalidade dos corais também foi classificada como moderada ou elevada.
"Analisamos dados de 15.066 levantamentos de recifes em todo o mundo realizados entre 2014 e 2017. Entre todos os recifes analisados, 80% e 35% apresentaram, respectivamente, branqueamento e mortalidade moderados ou mais severos, afetando mais de 10% dos corais", detalha o estudo.
Imagens de satélite auxiliaram na medição da temperatura da superfície do mar e do estresse térmico acumulado. A análise indica que mais da metade dos recifes globais sofreu branqueamento significativo durante o período avaliado.
O estudo destaca ainda que a degradação dos recifes impacta diretamente atividades econômicas e sociais. Esses ecossistemas ajudam a proteger as costas da erosão, sustentam a pesca e o turismo e são fonte de alimento e renda para milhões de pessoas em todo o planeta.
Corais brasileiros
A pesquisa, que reuniu cientistas de diferentes países, revelou que a mortalidade relacionada ao branqueamento e às doenças reduziu a densidade e a cobertura de corais no Caribe e no Atlântico, além de afetar a diversidade desses organismos.
No entanto, uma exceção foi observada nos conjuntos únicos de corais localizados ao largo da costa do Brasil.
"Apesar de constituírem o complexo de recifes mais biodiverso do Atlântico Sul, esses corais apresentaram baixos níveis de branqueamento e mortalidade durante o Terceiro Evento Global de Branqueamento de Corais, provavelmente devido à menor irradiância proporcionada pela turbidez das águas costeiras rasas do Brasil. Infelizmente, esses corais sofreram grandes perdas em decorrência de eventos de estresse térmico após 2017".
Conhecidos como as "florestas tropicais do mar", os recifes de coral estão entre os ecossistemas mais biologicamente diversos e economicamente valiosos do planeta.
Embora ocupem menos de 1% da superfície oceânica, os corais fornecem habitat para aproximadamente 25% de toda a vida marinha, incluindo mais de 4 mil espécies de peixes.
Esses recifes também abrigam uma ampla variedade de biodiversidade única, como invertebrados, mamíferos, tartarugas e algas.
Além de servirem como abrigo, os corais oferecem alimento aos animais marinhos em seu ecossistema, sendo que muitos deles se camuflam entre as estruturas coralinas.


