Ciência, tecnologia e inovação
Cientistas eliminam câncer de pâncreas em animais na Espanha
Equipe liderada pelo Dr. Mariano Barbacid realizou testes em camundongos
O mês de janeiro terminou com uma descoberta histórica na pesquisa sobre o câncer de pâncreas, um dos tumores mais agressivos para o ser humano. A equipe, liderada pelo Dr. Mariano Barbacid, conseguiu reverter a doença em camundongos sem gerar resistência, utilizando uma terapia combinada de três medicamentos.
“Conseguimos uma resposta completa, duradoura e de baixa toxicidade contra o câncer pancreático em modelos experimentais”, revela o chefe do Grupo de Oncologia Experimental do CNIO (Centro Nacional de Pesquisa Oncológica da Espanha).
Os resultados foram publicados na revista científica PNAS (Procedings of the National Academy of Sciences). O estudo é assinado por Vasiliki Liaki e Sara Bambana como primeiras autoras e teve Carmen Guerra como coautora principal. A pesquisa foi financiada pela CRIS Cancer Foundation, juntamente com fundos espanhóis e europeus.
O caminho até a descoberta
O principal obstáculo para a cura do câncer de pâncreas era a resistência da doença aos medicamentos. Mesmo após a aprovação dos primeiros medicamentos direcionados ao KRAS, um oncogene mutado em 90% dos pacientes, o impacto clínico do tratamento era limitado: em poucos meses, o tumor se tornava resistente.
Este foi o desafio encontrado pela equipe do DR. Barbacid, que utilizou como estratégia bloquear a via molecular KRAS em três pontos diferentes, em vez de atacar uma única ligação.
“Eliminamos as três ao mesmo tempo e os tumores não somente desapareceram, como também não voltaram. Agora, vai haver um fármaco que prolonga a sobrevivência dos pacientes do câncer de pâncreas. E é um termo histórico em termos de medicina, porque será a primeira vez que um fármaco funciona e não é quimioterapia. Não fomos nós que descobrimos, mas o que fizemos foi: com estas outras vias, estes outros dois ataques, o tumor não volta a aparecer”, relatou o Dr. Barbacid.
A equipe utilizou um tratamento que combina um inibidor experimental da molécula KRAS, o daraxonrasib; o afatinib, utilizado em certos tipos de câncer de pulmão; e um degradador de proteínas direcionado ao STAT3 (SD36). O tratamento foi testado em três modelos de adenocarcinoma ductal pancreático, o tipo mais comum e letal desse tumor.
Ensaios clínicos
Apesar da magnitude da descoberta, o Dr. Mariano insiste na necessidade de extrema cautela. “Ainda não estamos em condições de realizar ensaios clínicos com a terapia tripla”, declara. O processo para otimizar o tratamento até que chegue aos pacientes pode demorar anos, é complexo, demorado e exigente, reunindo aspectos clínicos, burocráticos e garantias de segurança para o uso em humanos.
Outro fator importante para o avanço da pesquisa é o financiamento. As primeiras etapas da pesquisa foram financiadas pela fundação CRIS Cancer Foundation, que depende de doações.
“Os ensaios clínicos são muito mais caros. Estamos falando de uma quantidade superior, em torno de € 5 milhões para a primeira parte, e depois o esforço fica maior. Eu espero que, para então, a indústria farmacêutica ou fundos de investimento realmente invistam, porque quanto mais estivemos perto, mais fácil será levantar mais dinheiro”, conclui Dr. Barbacid.
A pesquisa conta com uma página online para doações, que pode ser acessada através deste link.


