Agro

Nordeste concentra rebanhos de caprinos e ovinos no Brasil

Região reúne 96,6% dos caprinos e 75,8% dos ovinos do país, na medida que crescimento da demanda abre oportunidades para produtores

Por Redação 21/10/2026 15h03
Nordeste concentra rebanhos de caprinos e ovinos no Brasil
Rebanho caprino alcançou 13,52 milhões de animais, com concentração de 96,6% dos animais no Nordeste - Foto: Adilson Nóbrega

A criação de caprinos e ovinos no Brasil registrou crescimento em 2025, impulsionada principalmente pela região Nordeste, que mantém a liderança nacional na atividade. Dados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM 2025), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), analisados pelo Centro de Inteligência e Mercado de Caprinos e Ovinos (CIM), apontam que o país alcançou 22,31 milhões de ovinos e 13,52 milhões de caprinos.

O rebanho ovino cresceu 1,55% em relação a 2024, enquanto o caprino apresentou alta de 1,2%. Em números absolutos, foram acrescentados 341.253 ovinos e 158.352 caprinos ao efetivo nacional. A análise foi elaborada pelo pesquisador Klinger Magalhães, com base nos dados do IBGE.

O levantamento também identificou mudanças no ritmo de expansão das atividades. Entre 2021 e 2025, a caprinocultura apresentou crescimento médio anual de 3,3%, enquanto a ovinocultura avançou 2,1%. No período mais recente, entre 2024 e 2025, a criação de ovinos acelerou, ao passo que a de caprinos registrou desaceleração.

“Na ovinocultura, é bem perceptível um aumento de demanda. Os frigoríficos, os abatedouros, estão mais atuantes e isso tem estimulado um interesse dos produtores em aumentar rebanho para atender essa demanda do mercado formal” avalia o pesquisador Klinger Magalhães.

Nordeste lidera


A região concentra 96,6% do rebanho caprino brasileiro, com 13,07 milhões de animais, e foi a única a registrar crescimento nessa atividade entre 2024 e 2025, com alta de 1,4%. Nas demais regiões, houve retração, especialmente no Centro-Oeste, onde a queda chegou a 10,5%.

Na ovinocultura, o Nordeste reúne 75,8% do efetivo nacional, equivalente a 16,9 milhões de cabeças, após crescimento de 4,4% em um ano. Em contrapartida, o Sul, segundo maior polo da atividade, teve redução de 8,6%, totalizando 3,49 milhões de animais.

Para Klinger Magalhães, a concentração dos rebanhos na região nordestina pode representar uma oportunidade de fortalecimento da cadeia produtiva, mas também exige atenção à competitividade do setor.

“Podemos ver essa concentração de rebanhos no Nordeste como uma oportunidade, na medida em que a região será detentora de um material genético praticamente de todo o Brasil. Seríamos fornecedores, seja de genética, seja de animais para atender ao mercado nacional. Por outro lado, essa concentração pode também sinalizar um menor interesse de outras regiões pelos produtos, que não vejam mais a atividade econômica e o mercado como interessantes”, declara Klinger.

O pesquisador também aponta diferenças no nível de especialização da produção entre as regiões brasileiras. Segundo ele, áreas com rebanhos menores conseguem avançar no melhoramento genético, enquanto o Nordeste ainda precisa ampliar programas voltados à seleção e à especialização dos animais.

Bahia se destaca

A Bahia tem os maiores rebanhos nacionais de caprinos e ovinos, com 4,69 milhões e 5,99 milhões de animais, respectivamente. Pernambuco aparece na segunda posição nas duas atividades, com 3,27 milhões de caprinos e 3,86 milhões de ovinos.

O Piauí ocupa o terceiro lugar na caprinocultura, com 2,09 milhões de animais, e a quinta posição na ovinocultura, com 1,89 milhão. Juntos, Bahia, Pernambuco e Piauí concentram 74,4% dos caprinos do país. Já o Rio Grande do Sul, terceiro maior produtor de ovinos, contabilizou 2,68 milhões de cabeças, após queda de 9,9% pelo segundo ano consecutivo.

No recorte municipal, Casa Nova, na Bahia, lidera a criação das duas espécies no Brasil. O município possui 810,2 mil caprinos, com crescimento de 3,9%, e 713,5 mil ovinos, alta de 5,5% em relação ao levantamento anterior.

Outros municípios de destaque estão no Vale do São Francisco e no Sertão nordestino, como Juazeiro e Curaçá, na Bahia, e Floresta, Petrolina, Afrânio e Dormentes, em Pernambuco.

*Com informações da assessoria