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Bioinsumos avançam na pecuária, mas falta de regras dificulta mercado

Tecnologias biológicas buscam combater parasitas e reduzir o uso de químicos, no momento em que setor defende regulamentação específica para ampliar a inovação

Por Redação 21/10/2026 15h03
Bioinsumos avançam na pecuária, mas falta de regras dificulta mercado
Problema ganha importância diante dos prejuízos estimados em US$ 3,2 bilhões por ano - Foto: Divulgação

O desenvolvimento de bioinsumos para a pecuária brasileira avança como alternativa ao uso de produtos químicos no controle de parasitas e na prevenção de infecções. Apesar do potencial dessas tecnologias, a falta de normas específicas para o registro de produtos biológicos de uso animal ainda dificulta sua comercialização. O problema ganha importância diante dos prejuízos estimados em US$ 3,2 bilhões por ano causados pelo carrapato bovino no Brasil.

A resistência dos parasitas aos antiparasitários convencionais tem estimulado pesquisas por métodos alternativos de controle sanitário. Entre as soluções em desenvolvimento estão os fungos entomopatogênicos, microrganismos capazes de infectar carrapatos em diferentes fases da vida, com possibilidade de aplicação nos animais ou nas pastagens.

Outra frente de pesquisa investiga o uso de bacteriófagos, vírus que infectam bactérias, como aditivos para prevenir infecções gastrointestinais em aves, suínos e bovinos. A tecnologia busca avaliar alternativas para reduzir ou substituir antibióticos em determinadas situações.

Segundo Caio Monteiro, pesquisador de Parasitologia da Universidade Federal de Goiás (UFG), a resistência aos produtos convencionais reforça a necessidade de diversificar as ferramentas de manejo sanitário.

“Esse avanço da resistência tem reforçado a necessidade de novas tecnologias de controle, capazes de contribuir para o aumento da produtividade e do bem-estar animal, ao mesmo tempo em que reduzem a dependência de insumos químicos. Nesse cenário, é fundamental criar condições para que soluções alinhadas ao conceito de Saúde Única, que considera a relação entre a saúde animal, humana e ambiental, cheguem ao mercado e contribuam para um manejo mais seguro e sustentável”, afirma.

Entraves


Embora compartilhem bases tecnológicas com os bioinsumos agrícolas, os produtos destinados à pecuária exigem avaliações específicas, pois podem entrar em contato direto com os animais e com o ambiente de criação. Além dos testes de eficácia, toxicologia e ecotoxicologia, determinadas soluções precisam passar por ensaios de segurança clínica nos animais que receberão a aplicação.

A regulamentação está entre os assuntos debatidos durante a implementação da Lei dos Bioinsumos, nº 15.070/2024. As discussões buscam estabelecer critérios para registro, produção, comercialização e avaliação da segurança dos produtos voltados à pecuária.

O debate considera uma minuta de decreto encaminhada em dezembro de 2025, por meio do Ofício nº 440/2025/DSV/SDA/MAPA. Entre as propostas estão a definição de metodologias para análise dos produtos, a adequação dos requisitos para registro de estabelecimentos e a elaboração de uma lista de ativos biológicos autorizados para uso pecuário, identificados por cepa.

A Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (ANPII Bio), que participa das discussões, defende que as exigências regulatórias sejam proporcionais aos riscos de cada tecnologia. A entidade também discute critérios para rótulos e bulas, com a possibilidade de informar efeitos comprovados contra parasitas e invertebrados, sem permitir alegações terapêuticas ou curativas reservadas aos medicamentos veterinários.

Segurança


Além do controle de parasitas, os bioinsumos são estudados como alternativas para diminuir resíduos químicos nos alimentos de origem animal e reduzir possíveis impactos sobre outros organismos. A adoção dessas soluções, no entanto, depende da comprovação de eficácia e segurança.

O tema também envolve as exigências sanitárias do comércio internacional, especialmente as regras relacionadas ao uso e à rastreabilidade de antimicrobianos na produção animal. Segundo material divulgado pela ANPII Bio, uma suspensão temporária da entrada de produtos brasileiros de proteína animal na União Europeia, no início de setembro, esteve associada às normas europeias para essas substâncias.