Agro

Boi gordo registra valorização em diferentes regiões do Brasil

Oferta limitada de animais para abate e escalas reduzidas dos frigoríficos sustentam as cotações, enquanto o mercado de carne bovina também apresenta aumentos

Por Redação 14/10/2026 14h02
Boi gordo registra valorização em diferentes regiões do Brasil
Oferta de animais permanece restrita, enquanto as escalas de abate continuam pouco confortáveis - Foto: Foto: Gilson Abreu/AEN

O mercado brasileiro de boi gordo iniciou a semana com preços em alta em diversas regiões, impulsionado pela disponibilidade restrita de animais prontos para o abate e pela necessidade dos frigoríficos de garantir matéria-prima. Após o feriado de Nossa Senhora Aparecida, em 12 de outubro, as negociações foram retomadas com firmeza, incluindo negócios acima das referências médias em diferentes praças do país.

Na terça-feira (13), as escalas de abate das indústrias permaneciam curtas, com programações concentradas entre cinco e seis dias úteis na maior parte das regiões monitoradas. Esse cenário contribuiu para manter os compradores ativos e favoreceu a sustentação dos valores pagos aos pecuaristas, conforme avaliação da consultoria Safras & Mercado.

Levantamento da Scot Consultoria apontou que, entre as 33 praças acompanhadas, 16 registraram elevação nas cotações do boi gordo em relação ao encerramento da semana anterior. Os reajustes foram observados em mercados de Mato Grosso, Pará, Minas Gerais, Tocantins, Santa Catarina, Alagoas, Espírito Santo e Rio de Janeiro.

A restrição na oferta tem dificultado a formação das escalas dos frigoríficos, levando parte das indústrias a elevar suas propostas para assegurar o abastecimento. De acordo com Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, a combinação desses fatores mantém uma perspectiva favorável para os preços da arroba no curto prazo.

Mercado atacadista


O movimento de valorização chegou ao mercado atacadista da Grande São Paulo, onde os preços das carcaças bovinas avançaram. A antecipação de pedidos para reposição de estoques antes do feriado contribuiu para aquecer as negociações. A menor disponibilidade de carne, somada à firmeza dos preços do gado, também influenciou os reajustes.

A carcaça casada do boi capão teve alta de 1,1%, alcançando R$ 25 por quilo. Já a do boi inteiro chegou a R$ 24,55 por quilo, também com avanço de 1,1%.

Entre as fêmeas, a carcaça de vaca subiu 1,1%, para R$ 24 por quilo. A de novilha apresentou valorização de 2%, chegando a R$ 24,55 por quilo.

Segundo a Scot Consultoria, a carcaça do boi capão voltou a atingir o maior valor de sua série histórica, igualando o recorde registrado na segunda quinzena de abril de 2026. As demais categorias de carcaças, que já haviam alcançado máximas nas semanas anteriores, estabeleceram novos patamares.

Diante desse contexto, a expectativa é de continuidade da firmeza no mercado pecuário, embora o comportamento das cotações ainda dependa da oferta de animais, do ritmo de compra dos frigoríficos e da demanda por carne bovina.

Exportações

No comércio internacional, os embarques brasileiros de carne bovina in natura apresentaram desaceleração no início de outubro. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicaram que, nos sete primeiros dias úteis do mês, o país exportou 61,321 mil toneladas do produto, com média diária de 8,760 mil toneladas.

O preço médio recebido pelas vendas externas ficou em US$ 6.163,30 por tonelada. Apesar do valor ainda elevado, houve uma leve redução em comparação com setembro.

Informações do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) apontaram que a média diária exportada ficou quase 40% abaixo da registrada em outubro de 2025. Mesmo com a perda de ritmo nos embarques, os preços internacionais continuaram em níveis elevados, fator que permanece relevante para o acompanhamento do setor pecuário brasileiro.

*Com informações da assessoria