Agro

Safra bate recorde, mas fatura R$ 66 bilhões a menos

Valor bruto da produção agropecuária deve cair 4,5% em 2026

Por Redação* 24/08/2026 13h01
Safra bate recorde, mas fatura R$ 66 bilhões a menos
. - Foto: Reprodução

Uma safra recorde costuma indicar um ano positivo para o produtor rural, mas os números mais recentes mostram que produzir mais não significa necessariamente faturar mais. Enquanto a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima uma produção de 360,8 milhões de toneladas de grãos no ciclo 2025/26, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) prevê queda no valor gerado pelo setor.

Segundo o 11º Levantamento da Safra de Grãos, a produção deve crescer 2,4% em relação à temporada anterior, com 8,5 milhões de toneladas a mais. A área cultivada chegou a 83,5 milhões de hectares, alta de 2,1%, enquanto a produtividade média foi estimada em 4.322 quilos por hectare.

Apesar do aumento na produção, o Mapa reduziu a projeção do Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária de 2026 para R$ 1,398 trilhão. Em 2025, o valor revisado é de R$ 1,464 trilhão. Na comparação entre os anos, o faturamento deve cair R$ 66 bilhões, uma redução de 4,5%.

A retração está concentrada principalmente nas lavouras. O VBP agrícola foi estimado em R$ 893,331 bilhões, queda de 6%, enquanto a pecuária deve movimentar R$ 504,866 bilhões, recuo de 1,7%.

Entre as principais culturas, a soja deve permanecer praticamente estável, com R$ 336,028 bilhões. Já o milho deve cair 6,6%, para R$ 158,408 bilhões. A cana-de-açúcar foi projetada em R$ 108,746 bilhões, queda de 8,8%, e o café em R$ 103,471 bilhões, recuo de 11,6%.

As perdas são ainda maiores em culturas como laranja, trigo e cacau. A laranja deve registrar queda de 41,8%, o trigo de 25,4% e o cacau de 57%.

Segundo o Mapa, a redução está relacionada principalmente à queda nos preços das commodities agrícolas e à desaceleração da produtividade. Na prática, o produtor pode colher mais e, ainda assim, receber menos pela produção.

O cenário também aparece nos dados do PIB do agronegócio. O indicador do Cepea/Esalq-USP e da CNA recuou 2,01% no primeiro trimestre de 2026, após crescimento superior a 12% em 2025.

Com isso, a participação do agronegócio no PIB nacional deve passar de 25,2% em 2025 para 22,8% em 2026. Para o produtor, os números reforçam que o aumento da produção não tem sido suficiente para compensar a perda de preços e de margem.

*Informações de AgroLink