Agro

Setor de carnes prevê crescimento nos próximos dois anos

Entidade prevê avanço nas carnes de frango e suína, expansão da produção de ovos e maior consumo interno até 2027

Por Redação 29/07/2026 09h09
Setor de carnes prevê crescimento nos próximos dois anos
Produção e exportações de proteínas animais devem crescer nos próximos dois anos, segundo a ABPA - Foto: Agência Brasil

A produção, as exportações e o consumo interno de proteínas animais devem continuar em trajetória de crescimento nos próximos dois anos, segundo projeções divulgadas pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). As estimativas para 2026 e 2027 apontam expansão nas cadeias de carnes de frango e suína, enquanto a produção de ovos seguirá em alta, apesar da expectativa de retração nas exportações em 2026.

Frango


A produção de carne de frango deverá alcançar entre 16 milhões e 16,15 milhões de toneladas em 2026, crescimento de até 5,6% sobre 2025. Para 2027, a expectativa é de que o volume atinja até 16,6 milhões de toneladas.

As exportações também devem avançar, passando de 5,324 milhões de toneladas em 2025 para até 5,875 milhões em 2026, alta de 10,3%, podendo chegar a 6,05 milhões de toneladas em 2027.

Segundo o presidente da ABPA, Ricardo Santin, surtos de influenza aviária registrados em países como Chile, Polônia, Alemanha e Austrália tendem a aumentar a demanda internacional pela carne de frango brasileira. Mesmo com a guerra no Oriente Médio, ele afirmou que 95% das exportações foram mantidas por meio de rotas alternativas via Canal de Suez.

No mercado interno, a disponibilidade da proteína deve subir para cerca de 10,275 milhões de toneladas em 2026 e 10,55 milhões em 2027, elevando o consumo per capita de 46,7 para até 49,4 quilos por habitante.

Suínos


A produção de carne suína deve crescer 5% em 2026, passando de 5,592 milhões para 5,870 milhões de toneladas. Em 2027, a projeção é de expansão de 3,1%, com produção estimada em 6,05 milhões de toneladas.

As exportações deverão avançar para até 1,6 milhão de toneladas em 2026 e alcançar 1,7 milhão em 2027.

Santin destacou que o reconhecimento do Brasil pela China como país livre de febre aftosa sem vacinação deve ampliar as oportunidades de exportação para novos estados habilitados. Segundo ele, o mercado chinês continua demandando grandes volumes de carne suína, principalmente de miúdos.

No mercado doméstico, a disponibilidade deve atingir 4,27 milhões de toneladas em 2026 e 4,35 milhões em 2027. Já o consumo per capita deverá passar de 19,1 quilos, em 2025, para 20,4 quilos em 2027.

Ovos


A produção de ovos deverá aumentar de 62,253 bilhões de unidades em 2025 para 64,8 bilhões em 2026 e alcançar 66,5 bilhões em 2027.

Apesar do crescimento da produção, as exportações devem recuar para cerca de 30 mil toneladas em 2026, abaixo das 40,9 mil toneladas registradas em 2025. A expectativa é de recuperação em 2027, quando os embarques poderão atingir 34,5 mil toneladas.

O consumo interno continuará em alta, passando de 288 ovos por habitante em 2025 para 301 em 2026 e chegando a 312 unidades per capita em 2027.

União Europeia


A ABPA também acompanha as negociações envolvendo as restrições da União Europeia ao uso de antimicrobianos na produção animal. Caso não haja acordo até setembro, parte das exportações destinadas ao bloco poderá ser redirecionada para outros mercados.

Segundo a entidade, o Mercosul dispõe atualmente de uma cota de 180 mil toneladas de carne de frango com isenção tarifária para exportação à União Europeia, cuja divisão entre os países membros segue em negociação. No caso da carne suína, o Brasil ainda não pode utilizar a cota disponível por não possuir acordo sanitário vigente com o bloco europeu.