Agro
Seca reduz produção de milho e acende alerta para o agro nordestino
Nova estimativa da Conab aponta queda de 17,3% na terceira safra de milho após período de estiagem atingir áreas produtoras de Alagoas, Sergipe e Bahia
A estiagem registrada nas últimas semanas provocou uma forte redução na expectativa de produção da terceira safra de milho no Nordeste.
De acordo com o mais recente levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a projeção para a colheita caiu 17,3% entre junho e julho, reflexo da escassez de chuvas que comprometeu o desenvolvimento das lavouras em Alagoas, Sergipe e no nordeste da Bahia.
A estimativa de produção passou de 3,26 milhões para 2,70 milhões de toneladas em apenas um mês. Mesmo com o aumento da área cultivada, o impacto dos veranicos reduziu significativamente a produtividade das plantações, sobretudo nas fases de floração e enchimento dos grãos, consideradas decisivas para o rendimento da cultura.
Em diversas regiões produtoras, agricultores enfrentam perdas expressivas. Em algumas áreas do Semiárido, parte das lavouras deverá ser destinada à produção de silagem ou sequer será colhida devido aos danos causados pela falta de chuva.
O cenário preocupa produtores e reforça a vulnerabilidade da agricultura às variações climáticas.
Apesar das dificuldades enfrentadas pelo milho, o panorama geral da produção de grãos no Nordeste permanece positivo. A Conab projeta crescimento de 10,8% na safra regional, impulsionado principalmente pelo desempenho de estados como Bahia, Piauí e Maranhão, que concentram a maior parte da produção agrícola da região.
Em Alagoas, os efeitos da estiagem já são percebidos nas principais regiões produtoras de grãos. Segundo a Conab, a redução das chuvas atingiu com maior intensidade os municípios localizados às margens do Rio São Francisco, enquanto no Agreste e na Bacia Leiteira as precipitações ocorreram de forma isolada e insuficiente para garantir o desenvolvimento adequado das lavouras.
O cenário climático comprometeu especialmente o milho plantado na segunda quinzena de maio. As áreas cultivadas apresentam atraso no crescimento, folhas enroladas e perda de potencial produtivo em razão do déficit hídrico. Já as lavouras semeadas logo após as primeiras chuvas conseguiram avançar para as fases de pendoamento e formação das espigas, mas também começaram a apresentar sinais de estresse hídrico, o que pode reduzir a produtividade na colheita.
Diante desse quadro, a Conab revisou para baixo a estimativa de rendimento das lavouras de milho no estado. A previsão é que Alagoas produza cerca de 201,2 mil toneladas de grãos na safra atual, volume 5,2% inferior ao registrado no ciclo anterior. A queda ocorre mesmo com o aumento de 1,9% na área plantada, reflexo da redução de 6,9% na produtividade média das culturas.
A estiagem também preocupa os produtores de feijão da terceira safra. Em municípios do Agreste e do Sertão, parte das áreas inicialmente previstas para o plantio deixou de ser cultivada por falta de umidade no solo. Nas lavouras já implantadas, o desenvolvimento das plantas segue abaixo do esperado, aumentando a preocupação com novas perdas caso o regime de chuvas não se regularize nas próximas semanas.
*Com informações Movimento Econômico

