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Exportações do agronegócio crescem 8,2% e somam US$ 16 bilhões

Setor respondeu por metade das vendas externas do Brasil em maio e ampliou a participação de municípios exportadores, aponta CNM

Por Redação com CNM 05/06/2026 14h02
Exportações do agronegócio crescem 8,2% e somam US$ 16 bilhões
Levantamento da CNM constatou que as importações de produtos agropecuários alcançaram US$ 1,61 bilhão - Foto: Reprodução/CNM

O agronegócio brasileiro manteve sua posição de destaque no comércio exterior e encerrou maio de 2026 com exportações de US$ 16 bilhões, o equivalente a 50,2% de tudo o que o país vendeu para o mercado internacional no período. Os dados são de um levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM).

O resultado representa um crescimento de 8,2% em comparação com maio de 2025, quando o setor registrou US$ 14,8 bilhões em exportações. Em relação a abril deste ano, porém, houve uma retração de 3,7%.

A CNM destaca que o avanço das exportações tem contribuído para a descentralização da geração de riqueza no país. Em maio, 1.496 municípios brasileiros registraram embarques de produtos agropecuários para o exterior, número 2,3% superior ao verificado no mesmo mês do ano passado, quando 1.463 cidades participaram do mercado exportador.

Entre os municípios que mais exportaram, Rio Verde, em Goiás, liderou o ranking ao movimentar US$ 300,8 milhões, impulsionado principalmente pelas vendas de soja em grãos.

No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, as exportações do agronegócio alcançaram US$ 70,55 bilhões, alta de 4,6% na comparação com o mesmo período de 2025. Já as importações somaram US$ 8,25 bilhões, queda de 3,4%, garantindo ao setor um saldo comercial positivo de US$ 62,3 bilhões.

Soja segue na liderança

A soja em grãos permaneceu como o principal produto da pauta exportadora do agronegócio brasileiro. Somente em maio, as vendas externas do grão movimentaram US$ 6,31 bilhões, crescimento de 14,6% em relação ao mesmo período do ano passado. O produto respondeu sozinho por 39,4% de todas as exportações do setor e foi o principal item embarcado por 169 municípios brasileiros.

Na sequência aparecem a carne bovina in natura, que registrou US$ 1,7 bilhão em exportações e crescimento expressivo de 50,2%, impulsionado pela valorização dos preços internacionais, e o farelo de soja, com US$ 954,2 milhões e alta de 20,7%.

Mato Grosso lidera entre os estados

O Mato Grosso manteve a liderança nacional nas exportações do agronegócio ao registrar US$ 3,14 bilhões em embarques durante maio, o equivalente a 19,6% de todo o volume exportado pelo setor no país.

São Paulo aparece em segundo lugar, com US$ 2,32 bilhões exportados, representando 14,5% do total nacional. O estado se destaca pela diversidade produtiva, com 323 municípios exportadores e 317 produtos agropecuários diferentes comercializados no mercado internacional.

China segue como principal destino

A China permaneceu como o maior comprador dos produtos do campo brasileiro, adquirindo US$ 6,28 bilhões em mercadorias, especialmente soja em grãos. O país asiático foi o principal destino das exportações de 274 municípios brasileiros.

Os Estados Unidos ficaram na segunda posição, com compras de US$ 837 milhões, tendo a carne bovina in natura como principal produto importado. Apesar disso, as vendas para o mercado norte-americano recuaram 28% na comparação anual.

A Holanda completou o grupo dos três maiores destinos das exportações brasileiras do agro, com US$ 605,8 milhões e crescimento de 25%.

Tarifas dos EUA preocupam setor

Apesar do desempenho positivo da balança comercial, a CNM alerta para os impactos das sobretaxas impostas pelos Estados Unidos a alguns produtos brasileiros.

Nos últimos 12 meses, as exportações do agronegócio para o mercado norte-americano somaram US$ 9,8 bilhões, queda de 25,2% em relação ao mesmo período anterior. Os segmentos mais afetados foram os de produtos florestais, café, cana-de-açúcar e suco de laranja.

O setor de processamento de madeira registrou retração de 37,7%, especialmente nos estados do Paraná e Santa Catarina. Segundo a entidade, os efeitos das barreiras comerciais também atingiram o mercado de trabalho, com saldo negativo de aproximadamente 10 mil empregos formais na indústria florestal entre junho de 2025 e abril de 2026.

São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina concentram metade das vagas fechadas no período, refletindo os desafios enfrentados pelas empresas exportadoras diante das restrições impostas pelo mercado norte-americano.