Esportes

Após Mundial na China, alagoano defende mais recursos para o desporto escolar

Presidente da Federação Alagoana de Esportes Colegiais (FAEC), Irã Cândido, voltou ao Brasil ainda mais convencido de que o esporte precisa ocupar um espaço estratégico dentro das escolas

Por Redação com assessoria 23/07/2026 18h06
Após Mundial na China, alagoano defende mais recursos para o desporto escolar
Irã Cândido participou de mundial na China - Foto: Assessoria

Depois de integrar a delegação brasileira no Campeonato Mundial Escolar de Vôlei da Federação Internacional do Desporto Escolar (ISF), realizado em Shangluo, na China, o presidente da Federação Alagoana de Esportes Colegiais (FAEC), Irã Cândido, voltou ao Brasil ainda mais convencido de que o esporte precisa ocupar um espaço estratégico dentro das escolas. Para ele, a principal lição deixada pela experiência internacional é que os recursos destinados ao desporto educacional devem ser vistos como investimento e não como despesa.

A primeira diferença percebida foi a forma como um evento esportivo educacional é tratado.

"A importância que é direcionada a um evento educacional salta aos olhos. São disponibilizadas excelentes instalações e pessoas de apoio, que executam o suporte às delegações. Os estudantes-atletas percebem que são valorizados e estão em um grande evento."

Segundo Irã, o Mundial deixa claro que a competição é apenas uma parte da experiência. A formação humana e o intercâmbio cultural caminham lado a lado com o esporte.

"Os estudantes-atletas são inseridos no evento com a filosofia do desporto escolar. Inclusive, há um dia em que não acontecem jogos, mas apenas eventos para interação cultural. Neste dia visitamos uma escola pública, um museu e participamos da Noite das Nações, onde cada país apresenta algo da sua cultura."

Ao comparar a realidade vivida na China com o cenário brasileiro, o presidente da FAEC destaca que a Confederação Brasileira do Desporto Escolar (CBDE) já adota essa mesma filosofia nas competições nacionais. No entanto, acredita que o país ainda precisa fortalecer o esporte dentro das escolas.

"O Brasil precisa entender a importância de o esporte ser fomentado na escola. As escolas precisam ter planos esportivos e estrutura."

Em relação à rede pública de ensino em Alagoas, Irã avalia que ainda falta um olhar mais técnico para o desporto escolar, especialmente no que diz respeito à contratação de profissionais para modalidades esportivas específicas.

"Nas escolas particulares existem professores contratados para exercer determinada modalidade esportiva. Já nas escolas públicas de Alagoas, ainda não há concurso para profissionais da área esportiva com essa finalidade. O que existe é concurso para professores de Educação Física e não para modalidades esportivas específicas. Isso faria toda a diferença. Hoje temos profissionais de Educação Física que se comprometem a realizar aulas esportivas, mas podem até desfalcar horas das aulas de Educação Física de suas escolas."

Entre as experiências que mais marcaram a viagem está a visita às escolas públicas chinesas. O dirigente conheceu de perto a forma como o esporte também é utilizado como ferramenta de inclusão.

"Tive a oportunidade de conversar com professores e membros da direção escolar sobre como são tratadas as crianças inseridas no Transtorno do Espectro Autista. Eles informaram que os alunos são estimulados desde muito cedo. Esporte, arte e cultura são as ferramentas essenciais. Os espaços sensoriais são incríveis. Para eles, os alunos com nível 1 de suporte possuem tantos estímulos na infância que crescem em igualdade com os demais alunos. Já os que estão classificados em outros níveis de suporte passam um horário na escola e outro em estímulos especializados."

Outro ponto observado foi a autonomia das federações educacionais para fomentar o desporto escolar. Mesmo diante das diferenças estruturais, Irã afirma que o Brasil já demonstra competitividade no cenário internacional.

"Há países que levam seleções, mas o Brasil, fomentando o desporto na escola, leva a escola campeã dos JEB's, o que incentiva que as escolas invistam no desporto escolar. O Brasil não deixa nada a dever em nível técnico, mas, se os pais priorizarem o esporte na escola, nos desenvolveremos muito mais."

Como chefe da delegação brasileira, ele também precisou lidar com desafios durante a missão.

"A viagem para outro continente é sempre motivo para que os jovens percam um pouco do foco, já que são pessoas, línguas, espaços e costumes bem diferentes dos nossos. Então, um ponto foi manter esse foco. A viagem longa também foi desafiadora porque ficamos impedidos de retornar em virtude de um supertufão e das condições meteorológicas, que atrasaram o retorno."

Ao voltar para Alagoas, Irã diz que a experiência reforçou o trabalho desenvolvido pela FAEC.

"Uma experiência como essa faz pensar que estamos no caminho certo, fomentando o desporto escolar e estimulando desde cedo. Não é um caminho fácil, nem curto, mas é um caminho de retorno positivo para a sociedade."

Para ele, a maior mensagem deixada pela China é uma mudança de mentalidade.

"Os recursos aportados no desporto educacional são investimentos e não gastos. Se pensarmos assim, já estaremos dando um grande passo."