MDB quer saber: "O presidente do IPREV ousaria investir R$ 97 milhões no Master sem consultar o prefeito JHC?"
Ministro rebate JHC: "IPREV tem é rombo de R$ 313 milhões, o resto é imóvel, nada de dinheiro em caixa"
Não se trata de afirmar ou negar nada. Quem pode investigar e dizer o que aconteceu é a Polícia Federal e o Ministério Público. O que já estão fazendo.
A abordagem aqui é oportuna ao analisar o ponto crítico do intrincado político desse rumoroso esquema financeiro.
Não são conhecidos, ainda, elementos factuais que autorizem afirmar "JHC mandou investir o dinheiro do IPREV no Banco Master".
Mas há fato novo e revelador: documento da Justiça Federal apontando JHC como responsável legal pelo Instituto de Previdência de Maceió. Mais que isso: a 13a Vara da Justiça Federal de Alagoas apresentou documento considerando, textualmente, o "possível envolvimento" de João Henrique Caldas com as ruinosas operações financeiras do IPREV.
O assunto ganhou dimensão devido ao momento do embate eleitoral, mas também, e sobretudo, por citar expressamente o nome do ex-prefeito JHC no bojo das investigações sobre aplicações do IPREV em títulos fraudados do liquidado Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Isso já permite dizer que JHC mandou investir os 97 milhões dos aposentados?
Ainda não.
Mas revela duas questões relevantes que a sociedade desconhecia e tornam inevitável um enfoque essencial, a saber:
1 - Como JHC passou meses em silêncio, sem dar um pio sobre o tema, ninguém sabia que ele era o responsável legal pelo IPREV perante o Ministério da Previdência Social, com atribuições de nomear e exonerar os dirigentes do Instituto.
2 - Uma vez suspenso o sigilo das investigações sobre os crimes do Banco Master, de repente documento oficial da Justiça Federal menciona o "possível envolvimento" de João Henrique Caldas com a transação em foco.
E tudo isso encaminha o debate para uma indagação crucial dentro do MDB e no seio da sociedade: "O presidente Ronnie Mota, escolhido e nomeado por JHC, ousaria retirar 97 milhões de reais da conta dos aposentados e despejar no Master sem consultar, sem conversar com o prefeito JHC - seu chefe, superior e responsável legal pelo Instituto?"
Outra questão pertinente que está sendo esclarecida: como autarquia, o IPREV tem 'autonomia administrativa e financeira', certo, mas seu 'patrimônio' cresceu só depois que o prefeito transferiu para seu fundo imobiliário vários imóveis pertencentes a quem? Exatamente, ao Município de Maceió...
Com isso, JHC passou a proclamar que o patrimônio do IPREV saltou de R$ 390 milhões para R$ 1,6 bilhão. Ocorre que isso também conduz a outra indagação dentro do MDB: "Pode o prefeito conhecer imóveis, valores, reservas, enfim, saber tudo sobre o patrimônio do Instituto, e não saber que quase R$ 100 milhões foram retirados de suas contas para investimento de altíssimo risco no mercado financeiro?"
Já em relação ao superávit invocado por JHC, o ministro George Santoro (secretário da Fazenda no governo Renan Filho) entrou em cena com nova bomba, isto é, documentos mostrando que, em vez de superávit de um bilhão e seiscentos milhões, como afirma JHC, o IPREV "tem é um déficit de trezentos e treze milhões de reais".
Conclusão: quando fala em patrimônio de R$ 1,6 bilhão, João Caldas filho dá a entender que o IPREV tem esse dinheiro em caixa, mas, como explica o ministro George Santoro, trata-se simplesmente de "patrimônio imobiliário, portanto, nenhum dinheiro vivo em caixa".
Os números exibidos por George Santoro foram extraídos do Demonstrativo de Resultados da Avaliação Atuarial (DRAA de 2026), documento enviado ao Ministério da Previdência Social com base em dados de dezembro de 2025, e cujo relatório foi elaborado em junho deste ano, como já assinalado no Blog do jornalista Edivaldo Júnior.
