Agro
Açúcar bruto recua ao menor nível em quatro semanas
Queda do petróleo, avanço da safra brasileira e expectativa de maior oferta pressionaram açúcar, café e cacau no mercado internacional
Os contratos futuros do açúcar bruto negociados na bolsa ICE encerraram a quarta-feira em queda e atingiram o menor patamar das últimas quatro semanas. O movimento foi influenciado pela desvalorização do petróleo, pelo avanço da safra brasileira e pela expectativa de aumento da oferta global de commodities agrícolas.
O açúcar bruto recuou 0,4 centavo de dólar, equivalente a 2,8%, sendo negociado a 14,14 centavos de dólar por libra-peso. Já o açúcar branco caiu 1,6%, cotado a US$ 429,80 por tonelada.
Segundo operadores do mercado, a queda no petróleo contribuiu para pressionar os preços do açúcar. Com a energia mais barata, cresce a tendência de as usinas brasileiras direcionarem maior parte da cana-de-açúcar para a produção do adoçante, em vez do etanol biocombustível.
Outro fator que impactou o mercado foi o forte ritmo da safra no Brasil. Dados divulgados pela associação de produtores mostraram que a produção de açúcar na principal região produtora do país avançou 109,48% na segunda metade de abril, alcançando 1,8 milhão de toneladas métricas em comparação com o mesmo período do ano passado.
No mercado de cacau, os contratos em Londres recuaram 0,7%, encerrando o dia a 3.130 libras por tonelada, após forte valorização registrada na sessão anterior. Em Nova York, o produto também caiu 0,7%, sendo negociado a US$ 4.140 por tonelada.
Os comerciantes apontaram que a perspectiva de recuperação da produção na Costa do Marfim continua exercendo pressão negativa sobre os preços internacionais do cacau.
O café arábica também apresentou desvalorização. O contrato caiu 1,5%, fechando a US$ 2,6985 por libra-peso. A expectativa de uma safra mais robusta no Brasil foi o principal fator de pressão sobre as cotações.
O banco Commerzbank destacou que a redução das exportações colombianas ajudou a manter o mercado apertado nos últimos meses, mas avaliou que a chegada da nova safra brasileira deve aliviar a oferta e permitir recomposição dos estoques globais.
A consultoria Datagro projeta um superávit de 8,75 milhões de sacas no mercado global de café na temporada 2026/27, após cinco anos seguidos de déficit de oferta.
O café robusta também registrou baixa de 1,3%, encerrando o pregão a US$ 3.472 por tonelada.
*Com informações da Reuters


