Agro
Mercado agrícola registra pressão nos preços do algodão e arroz, enquanto cafeicultores monitoram impacto das chuvas
Subida do dólar, cenário internacional e condições climáticas influenciam cotações e preocupam produtores brasileiros
O mercado agrícola brasileiro iniciou esta semana com movimentos distintos entre importantes commodities do setor. Enquanto os preços do algodão e do arroz seguem pressionados por fatores externos e pela retração da demanda, produtores de café acompanham com atenção os impactos das chuvas sobre a colheita da safra 2026.
Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), os preços do algodão em pluma perderam sustentação nos últimos dias após as quedas registradas no mercado internacional, especialmente na Bolsa de Nova York (ICE Futures). A retração externa provocou cautela entre compradores e reduziu o ritmo de novos negócios.
Parte dos vendedores passou a flexibilizar valores para estimular negociações, enquanto indústrias ofertaram preços menores diante das dificuldades de comercialização e do repasse de custos aos produtos manufaturados. Além disso, o mercado acompanha os desdobramentos das negociações envolvendo compras chinesas de produtos norte-americanos e a desaceleração das exportações dos Estados Unidos.
No setor cafeeiro, o avanço da colheita do café arábica nas principais regiões produtoras do país aumentou a preocupação dos produtores com as condições climáticas. De acordo com o Cepea, chuvas recentes registradas em áreas do Paraná e de São Paulo podem comprometer a qualidade de parte dos grãos da safra atual.
No norte do Paraná, pesquisadores apontam redução na qualidade do café em algumas áreas afetadas pelas precipitações. Em Marília, interior paulista, o excesso de chuva preocupa produtores porque pode molhar grãos já caídos no solo e dificultar a colheita mecanizada. Já no Sul de Minas Gerais, a expectativa é de chuvas menos intensas, sem impactos significativos sobre a produção.
O mercado de arroz também permanece pressionado no Rio Grande do Sul, principal estado produtor do país. Segundo o Cepea, a baixa liquidez, a cautela dos compradores e a resistência dos produtores seguem limitando as negociações. A desvalorização do dólar frente ao real também reduziu a competitividade do arroz brasileiro no mercado externo, enfraquecendo a demanda internacional.
Apesar do cenário interno de queda nos preços, projeções divulgadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam redução da produção global de arroz na safra 2026/27, acompanhada de crescimento no consumo mundial e recuo nos estoques finais.
A estimativa é que a produção global de arroz beneficiado alcance 537,9 milhões de toneladas, volume 0,9% menor em relação à temporada anterior. Já o consumo deve atingir recorde de 541,3 milhões de toneladas, enquanto os estoques mundiais podem recuar para 192,7 milhões de toneladas ao fim da safra.
*Com informações da Cepea


