Geral
O Padrão do Feminicídio: advogada alagoana lança livro sobre violência contra mulheres em Maceió
Obra será lançada nesta quarta-feira (20) e também aborda os desafios no enfrentamento à violência contra mulheres
O Brasil registrou, em 2025, 1.568 casos de feminicídio, o maior número da última década. Os dados refletem uma violência que não acontece de forma isolada, mas que segue padrões estruturais e sociais que ajudam a compreender por que mulheres continuam sendo assassinadas no país. É a partir dessa reflexão que a advogada e pesquisadora Anne Caroline Fidelis de Lima lança, nesta quarta-feira (20), o livro O Padrão do Feminicídio: Um Estudo Configuracional dos Assassinatos de Mulheres em Maceió, em Alagoas.
O evento acontece às 19h, na sede da OAB/AL, em Jacarecica, e deve reunir representantes do sistema de justiça, universidade, advocacia, movimentos sociais e instituições ligadas à defesa dos direitos das mulheres.
A obra é resultado da pesquisa de mestrado em Sociologia desenvolvida pela autora na Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e apresenta uma análise aprofundada sobre os assassinatos de mulheres em Maceió, propondo uma leitura que vai além dos casos individuais para identificar padrões estruturais, institucionais e culturais presentes na violência letal contra mulheres.
Segundo Anne Caroline, o estudo evidencia que as dinâmicas de gênero já apareciam de forma recorrente nos crimes mesmo antes da tipificação do feminicídio no Brasil.
“O livro não trata apenas de casos isolados, mas de um padrão que revela como a violência contra mulheres se estrutura e se perpetua. É um convite à reflexão, mas também à responsabilização institucional e social”, afirma.
A pesquisa também aponta falhas na investigação dos crimes, invisibilização das vítimas e um cenário marcado por recorrente impunidade. Para a autora, compreender o feminicídio exige olhar para além dos números e observar como as instituições respondem — ou deixam de responder — à violência contra mulheres.
“Quando a gente observa esses casos de forma conjunta, percebe que existem falhas que se repetem. Não é só sobre o crime em si, mas sobre o que acontece antes e depois dele, e como isso contribui para que a violência continue acontecendo”, destaca.
A pesquisadora defende que a ausência de respostas eficazes do Estado reforça um ciclo de impunidade e mantém a violência em funcionamento, evidenciando a necessidade de uma abordagem feminista e interseccional no enfrentamento ao feminicídio.
A autora também chama atenção para a naturalização da violência de gênero na sociedade. “A violência contra mulheres foi naturalizada a tal ponto que só choca quando termina em morte. E, ainda assim, muitas vezes se tenta justificar o crime, deslocando a culpa para a vítima. Isso também faz parte do problema”, afirma.
“Quando os casos começam a se repetir do mesmo jeito, com os mesmos perfis e contextos, não dá mais para dizer que são exceções. Existe um padrão e ignorar isso é permitir que ele continue”, completa.
Sobre a autora
Além da atuação acadêmica, Anne Caroline possui trajetória consolidada na defesa dos direitos das mulheres em Alagoas. Advogada há 17 anos, foi Superintendente de Políticas Públicas para as Mulheres no Estado de Alagoas, participando da implementação e fortalecimento de iniciativas como a Patrulha Maria da Penha, o Fundo Estadual de Políticas para as Mulheres e a institucionalização da campanha Agosto Lilás no estado.
No sistema OAB, presidiu a Comissão de Direitos Humanos e a Comissão Especial da Mulher da OAB/AL, além de atuar como vice-presidente da Comissão da Mulher Advogada. Atualmente, integra a Comissão Nacional de Combate à Violência Doméstica da OAB Nacional e preside a Associação das Mulheres Advogadas de Alagoas (AMADA).
SERVIÇO
Lançamento do livro O Padrão do Feminicídio
Data: 20 de maio de 2026
Horário: 19h
Local: Sede da OAB/AL – Jacarecica, Maceió


