Agro

Fertilizantes disparam e pressionam custo da cana no Brasil

Alta ligada a tensões no Oriente Médio eleva insumos e pode afetar produtividade da safra 2026/27

Por Redação 29/04/2026 09h09 - Atualizado em 29/04/2026 09h09
Fertilizantes disparam e pressionam custo da cana no Brasil
Alta dos fertilizantes pressiona custos e preocupa produtores de cana - Foto: Foto ilustrativa / Reprodução - internet

A escalada das tensões no Oriente Médio voltou a impactar diretamente o agronegócio brasileiro, elevando de forma significativa os custos de produção da cana-de-açúcar. O aumento nos preços dos fertilizantes importados, essenciais para o desenvolvimento das lavouras, já pressiona o planejamento dos produtores e acende um alerta para a próxima safra.

Altamente dependente do mercado externo para suprir a demanda por insumos, o Brasil sente de forma imediata os efeitos das instabilidades internacionais. Em culturas intensivas como a cana-de-açúcar, a valorização dos fertilizantes tem impacto direto nas margens e na produtividade.

Dados da StoneX indicam que o avanço nos preços é expressivo, especialmente entre os nitrogenados. Desde o início do conflito, a ureia acumula alta de cerca de 63%, enquanto o sulfato de amônio registra valorização próxima de 30%. Já o nitrato de amônio subiu aproximadamente 60% no mesmo período.

Segundo o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Tomás Pernías, o impacto externo chega rapidamente ao país. “Para um país altamente dependente das importações, qualquer choque internacional que eleve preços tende a impactar diretamente o mercado interno, tanto em valores quanto em disponibilidade”, afirma.

O cenário atual, no entanto, apresenta agravantes em relação a crises anteriores. Entre eles, a deterioração das relações de troca e os riscos logísticos envolvendo rotas estratégicas, como o Estreito de Hormuz, fundamental para o escoamento de fertilizantes do Oriente Médio. “Enquanto houver risco ou restrições nessa rota, a oferta global tende a permanecer limitada, o que mantém os preços pressionados”, explica Pernías.

No campo, os efeitos já começam a alterar decisões. De acordo com o analista da Agrinvest Commodities, Jeferson Souza, o principal entrave é o custo elevado. “Hoje, o principal problema é o preço. A disponibilidade ainda não é o maior entrave, mas pode se tornar se o cenário persistir”, afirma.

Diante da pressão, produtores têm buscado alternativas para equilibrar as contas. “A alternativa mais imediata tem sido reduzir a dose de adubação”, diz Souza. A estratégia, porém, envolve riscos. “Qualquer redução precisa ser muito bem planejada, porque pode impactar diretamente a produtividade”, alerta.

Além disso, o cenário atual é considerado mais desafiador do que o observado em 2022. “Naquela época, apesar dos fertilizantes caros, o produtor tinha mais margem e acesso a crédito. Hoje, os preços das commodities não acompanham esse aumento de custo”, explica o analista.

No mercado internacional, a volatilidade deve continuar nos próximos meses. A instabilidade geopolítica, somada a restrições de exportação — especialmente de grandes fornecedores como a Rússia — mantém a oferta incerta e os preços elevados.

Para o setor sucroenergético, o momento exige cautela. Entre absorver os custos mais altos ou reduzir o uso de insumos, produtores enfrentam decisões que podem definir o desempenho da safra.