Agro
Café dispara nas bolsas com oferta travada no Brasil
Arábica supera 300 cents/lb e robusta avança em Londres com estoques baixos, clima adverso e vendas lentas no país
O mercado de café iniciou esta sexta-feira (24) em forte alta nas bolsas internacionais, sustentado por fundamentos que mantêm os preços firmes sob a ótica do produtor brasileiro. A valorização atinge tanto o arábica negociado em ICE Futures US quanto o robusta em Londres, reforçando o cenário de oferta restrita no curto prazo.
Na ICE, o café arábica registra valorização relevante. O contrato maio/26 é cotado a 317,05 cents por libra, com alta de 70 pontos. O julho/26 sobe para 304,25 cents/lb, com avanço de 390 pontos, enquanto o setembro/26 atinge 292,80 cents/lb, com ganho de 445 pontos.
No mercado europeu, o robusta também opera em alta. O contrato maio/26 é negociado a 3.761 dólares por tonelada, com elevação de 69 pontos. O julho/26 avança para 3.561 dólares por tonelada, enquanto o setembro/26 chega a 3.472 dólares por tonelada.
O movimento ocorre após uma semana de forte volatilidade e encontra suporte em fatores estruturais. Os estoques certificados de arábica seguem em níveis historicamente baixos em relação ao ano anterior, mantendo o mercado sensível a possíveis apertos na oferta.
No Brasil, o fluxo físico continua limitado. Produtores, capitalizados após períodos recentes de preços elevados, mantêm postura cautelosa e liberam volumes de forma pontual. Essa retenção reduz a disponibilidade imediata e sustenta as cotações, mesmo diante das oscilações externas.
As condições climáticas também influenciam o comportamento do mercado. A previsão de tempo seco e temperaturas elevadas em regiões produtoras do Sudeste mantém os agentes atentos neste período de transição para a colheita. Ainda que não haja confirmação de perdas, o cenário reforça a cautela e limita movimentos de baixa mais consistentes.
Para o robusta, o cenário também é de ajuste. A recente recuperação ocorre após o teste de mínimas importantes e reflete tanto fatores técnicos quanto fundamentos apertados, especialmente no Brasil, onde a oferta segue restrita até a entrada mais ampla da nova safra.
No mercado físico, a valorização externa tende a dar suporte aos preços internos. No entanto, o ritmo de negociações ainda depende da disposição dos produtores. Há demanda ativa por parte da indústria e exportadores, mas os volumes comercializados permanecem abaixo do necessário, evidenciando um desequilíbrio entre oferta e demanda.
Para o produtor brasileiro, o momento exige atenção. A combinação de estoques reduzidos, incertezas climáticas e retenção de vendas mantém o mercado volátil, abrindo oportunidades, mas exigindo estratégia na comercialização diante das rápidas oscilações nas bolsas.


