Agro

Preços ao produtor rural caem 9,79% no 1º trimestre

Recuo anual foi amenizado pela alta da arroba bovina, enquanto grãos, hortifrúti e pecuária registraram quedas

Por Redação 23/04/2026 09h09
Preços ao produtor rural caem 9,79% no 1º trimestre
Grãos e hortifrutícolas puxaram recuo do índice no início de 2026 - Foto: Reprodução

Os preços pagos aos produtores agropecuários apresentaram queda no primeiro trimestre de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025. Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) aponta que o Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPA/Cepea) recuou 9,79% na base anual.

A retração não foi mais acentuada devido à valorização da arroba bovina, cuja média no primeiro trimestre deste ano superou a registrada nos três primeiros meses de 2025.

Na comparação com o cenário internacional, a queda doméstica foi mais moderada. Os preços globais de alimentos, medidos pelo FMI Food & Beverage Index, caíram 14,29% no período (em reais). Já os preços industriais, conforme o IPA-OG-DI, recuaram 2,55%, enquanto o real se valorizou 10,12% frente ao dólar.

Segundo pesquisadores do Cepea, esse quadro indica relativa resiliência dos preços internos. A valorização cambial também contribui para reduzir os custos de insumos importados, ao passo que a queda, ainda que menor, dos preços industriais ajuda a conter os custos de produção.

O Cepea ressalta que a retração do IPPA no trimestre está ligada às quedas nos grupos de Grãos (-9,85%), Cana e Café (-16,61%), Hortifrutícolas (-14%) e Pecuária (-5,73%).

Entre os grãos, o desempenho foi influenciado pelas desvalorizações na comparação anual. Os recuos foram de 14,59% para o algodão, 39,83% para o arroz, 15,35% para o milho, 4,15% para a soja e 18,24% para o trigo.

No segmento de hortifrutícolas, a redução foi puxada pelos preços do tomate (-4,3%) e da laranja (-55,8%), apesar das altas registradas para batata (5,1%) e banana (23,1%).

Já na pecuária, a queda refletiu os movimentos de preços do frango (-10,68%), suínos (-13,10%), leite (-22,97%) e ovos (-22,2%). Em sentido oposto, a arroba bovina teve valorização de 5,9%.