Agro

Alagoas terá primeira safra de café e impulsiona produção no interior

Cerca de 12 famílias, com aproximadamente 14 mil cafeeiros, cultivam café em três assentamentos

Por Redação 07/04/2026 14h02
Alagoas terá primeira safra de café e impulsiona produção no interior
Cultivo do café têm motivado agricultores no interior de Alagoas - Foto: Ascom Incra

A produção de café em Alagoas tem ganhado destaque nos últimos meses, especialmente no município de União dos Palmares. A previsão é de que a primeira safra ocorra entre maio e junho, segundo o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Cerca de 12 famílias, com aproximadamente 14 mil cafeeiros, cultivam café em três assentamentos no município: Chico Mendes/Bebidas, Santa Maria II e Limão.

A altitude, o clima e o solo têm favorecido o cultivo na região. A principal técnica utilizada é o terraceamento — sistema de plantio em degraus que se adapta à declividade do terreno, facilita o trabalho do agricultor e reduz a erosão do solo.

Entre essas famílias está o casal André Souza, de 40 anos, e Manoela Souza, de 38, que assumiu o desafio de implantar a cultura do café no assentamento Chico Mendes/Bebidas, onde ocupam uma área de 1,5 hectare com sete mil cafeeiros. Eles trocaram a cidade pelo campo com um plano ambicioso: cultivar, beneficiar o grão e incentivar outras famílias.

“Meu sonho sempre foi trabalhar com café. Além de fazer o que eu gosto, vejo no café um futuro e a esperança de algo melhor para mim, meus vizinhos e toda a região. Isso não tem preço”, afirma o agricultor, entusiasmado com essa nova etapa da vida.

Mineiro de origem, André trabalhou na construção civil e mora há 11 anos em Alagoas. Ele e Manoela deixaram uma área periférica de Maceió para investir no interior, em uma região de relevo acidentado, com serras e clima mais frio e úmido.

Como a cafeicultura ainda é pouco desenvolvida na reforma agrária em Alagoas, o lote do casal tem despertado curiosidade e recebido visitas de agricultores, associações rurais e instituições públicas, como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

André também está inscrito no Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF), o que possibilita o acesso a políticas públicas, como linhas de financiamento do Incra e do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).

O produtor pretende aderir a financiamentos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que oferece condições diferenciadas para famílias assentadas.

Ele já iniciou a construção de um galpão para abrigar uma agroindústria, além de ter adquirido um secador de grãos e uma máquina para descascar o café. As próximas aquisições incluem equipamentos para torra e moagem.

A meta é produzir o próprio café torrado e moído e lançar uma marca própria. Para isso, conta com a assessoria do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Ainda neste ano, a família pretende realizar um evento de degustação do primeiro lote de café beneficiado.