Agro
Produção de etanol de milho pode crescer 7 bilhões de litros no Brasil até 2028
Atualmente, o etanol de milho já representa quase um terço de todo o etanol produzido no país
A produção de etanol a partir do milho vem ganhando espaço de forma acelerada na matriz de biocombustíveis do Brasil, impulsionada pelo aumento da oferta de grãos e por novos investimentos industriais no setor. De acordo com análise da economista e doutora em Agronegócios Maria Flávia Tavares, baseada em relatório do Banco ABC Brasil, a produção nacional pode crescer cerca de 7 bilhões de litros até 2028. O avanço deve ocorrer principalmente com a entrada em operação de novas usinas e cerca de 30 projetos já autorizados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Atualmente, o etanol de milho já representa quase um terço de todo o etanol produzido no país. A projeção indica que o volume deve alcançar aproximadamente 10 bilhões de litros na safra 2025/2026 e avançar para cerca de 11,7 bilhões de litros no ciclo seguinte. O crescimento acompanha a consolidação de polos produtivos em regiões com forte produção de grãos, onde a integração entre agricultura e bioenergia tem ampliado a competitividade da cadeia.
Parte dessa vantagem está ligada ao modelo produtivo, que permite operação praticamente contínua ao longo do ano. Além do combustível, o processo industrial gera coprodutos relevantes para a cadeia agropecuária. Um dos principais é o DDG, utilizado na alimentação animal e cuja comercialização ajuda a compensar parte dos custos do milho empregado na produção do biocombustível.
A expansão da indústria também se reflete no comércio exterior. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, compilados pela União Nacional do Etanol de Milho, indicam que o país exportou cerca de 879 mil toneladas de DDG e DDGS em 2025 para 25 mercados. O volume representa crescimento de 9,7% em relação a 2024, reforçando o papel desses coprodutos na agregação de valor ao milho e à cadeia da bioenergia.
Apesar das perspectivas positivas, o ritmo acelerado de expansão também traz desafios ao setor. No curto prazo, a oferta pode avançar mais rapidamente que a demanda, o que tende a pressionar as margens das empresas e aumentar a necessidade de eficiência operacional na indústria.
*Com informações do Agrolink


