Agro
Feijão sobe, milho recua e soja bate recorde de exportação
Cenário do agronegócio impacta mercado nacional e pode refletir nos preços em Alagoas
O mercado agrícola brasileiro iniciou maio com movimentos distintos entre importantes culturas acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Enquanto os preços do feijão seguem em alta devido à oferta reduzida, o milho mantém trajetória de queda. Já a soja registra recorde de exportações, impulsionada pela forte demanda internacional.
Segundo o Cepea, as cotações do feijão carioca e do feijão preto continuam sustentadas pela baixa disponibilidade do produto nas principais regiões produtoras do país. O Paraná, maior produtor da segunda safra, enfrenta atraso na colheita por causa do desenvolvimento tardio das lavouras e das chuvas irregulares.
Com isso, a oferta segue limitada, mantendo os preços elevados neste início de maio. O cenário também aumentou o interesse dos compradores pelo feijão preto, especialmente pelos grãos da segunda safra.
Em Alagoas, a alta pode refletir diretamente no bolso do consumidor, já que o feijão faz parte da base alimentar das famílias e depende fortemente do abastecimento vindo de outros estados.
No caso do milho, o movimento é inverso. Influenciados pela maior oferta da safra de verão e pelos estoques elevados da temporada passada, os preços seguem em queda na maior parte das regiões monitoradas pelo Cepea.
Compradores apontam facilidade para negociações, enquanto parte dos vendedores demonstra maior flexibilidade para liberar espaço nos armazéns e gerar caixa. Ainda assim, preocupações climáticas nas áreas da segunda safra impedem recuos mais intensos nas cotações.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima produção de 109,11 milhões de toneladas na segunda safra de milho. Porém, a falta de chuvas, as altas temperaturas e a previsão de frentes frias seguem no radar do mercado.
A soja brasileira, por outro lado, mantém desempenho positivo nas exportações. Em abril, o Brasil embarcou 16,75 milhões de toneladas, maior volume já registrado para o mês, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
A China continua como principal destino da soja brasileira e ampliou as compras no período. Entre janeiro e abril, as exportações nacionais somaram 40,24 milhões de toneladas, também recorde histórico para o quadrimestre.
Já o mercado de mandioca registrou queda nos preços diante do aumento da oferta em diversas regiões produtoras. O Cepea aponta que muitos produtores intensificaram as vendas para capitalização e liberação de áreas, elevando a disponibilidade para as indústrias.
O cenário de maior oferta pode pressionar ainda mais os preços durante o pico da safra. Além disso, produtores de estados como Paraná e Mato Grosso do Sul já indicam intenção de reduzir áreas cultivadas na próxima temporada, diante da menor rentabilidade e do crédito mais restrito.
*Com informações da Cepea

