Agro

Impacto do tarifaço dos EUA ameaça próxima safra de cana no Nordeste

De acordo com a Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP), os prejuízos acumulados pelos produtores nordestinos já chegam a R$ 500 milhões

Por Redação* 26/02/2026 08h08
Impacto do tarifaço dos EUA ameaça próxima safra de cana no Nordeste
Cana-de-açúcar - Foto: Reprodução/Internet

Lideranças dos produtores de cana-de-açúcar do Nordeste se reuniram nesta quarta-feira (25) com o Ministério da Fazenda para solicitar a concessão de uma subvenção federal que compense as perdas provocadas pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao açúcar brasileiro — medida revertida apenas na semana passada.

De acordo com a Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP), os prejuízos acumulados pelos produtores nordestinos já chegam a R$ 500 milhões. Representantes do setor afirmam que a queda nas receitas tem dificultado investimentos essenciais à manutenção dos canaviais, como a aplicação de fertilizantes e outros tratos culturais necessários à próxima safra.

A comitiva foi recebida por Dário Durigan, secretário-executivo do Ministério da Fazenda, que informou que o pleito será analisado pela equipe econômica. A reunião foi articulada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta.

A AFCP estima que a subvenção necessária pode alcançar R$ 270 milhões. A proposta apresentada prevê o pagamento de R$ 12 por tonelada de cana entregue às usinas da região.

Em nota, o presidente da entidade, Alexandre Andrade Lima, afirmou que há precedentes para a adoção da medida. Segundo ele, a subvenção já foi implementada em gestões anteriores dos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. “Acreditamos na viabilidade da implantação da subvenção, mas será fundamental o apoio de parlamentares da Câmara e do Senado”, declarou.

Lima também defendeu a inclusão da cana-de-açúcar na Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM). “Se a cana estivesse contemplada pela política, não estaríamos pleiteando a subvenção”, argumentou.

O tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manteve o açúcar brasileiro sujeito a uma sobretaxa de 40%, mesmo após a retirada da medida para outros produtos agrícolas. Com isso, usinas nordestinas passaram a exportar ao mercado americano por valores menos competitivos.

Fortemente dependente das exportações de açúcar aos Estados Unidos — mercado que historicamente paga prêmio sobre o produto brasileiro —, o setor sucroalcooleiro do Nordeste sentiu impacto direto na receita e na margem das usinas e fornecedores.

*Com informações do Globo Rural