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Indústria de máquinas agrícolas deve avançar 3,4% em 2026, projeta Abimaq

Setor prevê desaceleração influenciada por menor expansão da safra, juros elevados e cenário cambial desfavorável

Por Redação* 29/01/2026 10h10
Indústria de máquinas agrícolas deve avançar 3,4% em 2026, projeta Abimaq
Mercado interno segue como principal motor do setor, com destaque para vendas de tratores - Foto: Reprodução

A indústria brasileira de máquinas e equipamentos agrícolas deve apresentar crescimento mais moderado em 2026, com avanço estimado em 3,4% na comparação com 2025, segundo projeção divulgada pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). No ano passado, o faturamento do setor aumentou 7,4%, alcançando R$ 66,75 bilhões.

De acordo com Cristina Zanella, diretora de competitividade, economia e Estatística da entidade, a expectativa é de nova safra recorde, porém com ritmo menor de expansão, o que tende a influenciar os investimentos em máquinas agrícolas.

“Provavelmente vamos ter uma super safra novamente, mas com crescimento pequeno em comparação ao que aconteceu em 2025, o que deve impactar os investimentos do setor na compra de máquinas na mesma proporção”, avaliou Cristina Zanella, diretora de competitividade, economia e Estatística da Abimaq. Ela também citou as tendências de juros altos no Brasil e câmbio menos favorável como fatores que também devem afetar crescimento do setor.

No mercado doméstico, o faturamento avançou 6,7% em 2025, atingindo R$ 57,59 bilhões. Já as exportações de máquinas e implementos agrícolas cresceram 12,2% no período, somando US$ 1,63 bilhão, enquanto as importações registraram elevação de 1,4%, alcançando US$ 1,22 bilhão.

Segundo Patrícia Gomes, diretora-executiva de mercado externo da Abimaq, o desempenho do setor continua fortemente ligado à demanda interna, com destaque para o segmento de tratores.

“O setor é muito calcado no desempenho do mercado interno. Vimos crescimento das vendas no mercado interno, principalmente no segmento de tratores. Já colheitadeiras tiveram um crescimento menor”, disse Patrícia Gomes, diretora-executiva de mercado externo da Abimaq.

A entidade também aponta que a comercialização de tratores foi impulsionada principalmente por equipamentos de menor porte, voltados à agricultura familiar, cafeicultura, fruticultura e pecuária.

No cenário externo, Cristina Zanella destacou preocupação do setor com o avanço da China no comércio internacional de máquinas agrícolas, além de possíveis efeitos do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia para o segmento de máquinas e equipamentos.

O setor encerrou 2025 empregando 122,2 mil trabalhadores, número 6,8% superior ao registrado em 2024.

Em volume, foram comercializadas 61,1 mil unidades de tratores e colheitadeiras em 2025, representando crescimento de 14,1% frente ao ano anterior.

As vendas internas responderam por 55,5 mil unidades, avanço de 15,8% na comparação anual. Somente os tratores somaram 52,1 mil unidades, alta de 16,5%, enquanto as colheitadeiras alcançaram 3,4 mil unidades, com crescimento de 5,2%.

No comércio exterior, as exportações de máquinas agrícolas totalizaram 5,5 mil unidades em 2025, registrando recuo de 0,7% frente a 2024.

Os embarques de tratores apresentaram leve queda de 0,2%, somando 5,2 mil unidades, enquanto as exportações de colheitadeiras recuaram 8,7%, totalizando 336 unidades no ano.

Desempenho em dezembro


Em dezembro de 2025, a receita do setor apresentou retração de 6,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior, atingindo R$ 4,23 bilhões.

As vendas internas caíram 12,7%, somando R$ 3,36 bilhões, enquanto as exportações mensais avançaram 45,6%, alcançando US$ 160,1 milhões. Já as importações cresceram 50,6%, totalizando US$ 88,3 milhões.

No último mês do ano, as vendas de tratores e colheitadeiras registraram queda de 15,6%, somando 4,1 mil unidades. No mercado interno, o recuo foi de 17,5%, para 3,7 mil unidades.

A comercialização de tratores diminuiu 18,1%, totalizando 3,2 mil unidades, enquanto as vendas de colheitadeiras caíram 13,7%, ficando em 503 unidades.

Por outro lado, as exportações mensais cresceram 4,9%, alcançando 428 unidades. Os embarques de tratores avançaram 6,1%, chegando a 385 unidades, enquanto os de colheitadeiras registraram queda de 4,4%, somando 43 unidades (Globo Rural, 28/1/26).

*Com informações da Abimaq