Ciência, tecnologia e inovação
Pesquisador da Ufal cria método e é aprovado em dois doutorados
Historiador da Universidade Federal de Alagoas desenvolveu o “Pentágono da Pesquisa”, protocolo acadêmico interdisciplinar que ajudou na aprovação
O historiador Rafael Britto, mestre pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), desenvolveu um método próprio de organização científica chamado “Pentágono da Pesquisa”, protocolo que reúne cinco pilares essenciais para estruturar investigações acadêmicas. A metodologia, criada após anos de estudo e prática, contribuiu para que o pesquisador fosse aprovado em dois programas de doutorado da instituição.
Bolsista do Núcleo de Tecnologia da Informação da Ufal (NTI) e licenciando em formação, Britto afirma que o método surgiu da necessidade de organizar ideias, formular perguntas e conectar diferentes áreas do conhecimento.
“O segredo da transversalidade reside no Pentágono da Pesquisa. Independentemente do departamento — História, Arquitetura ou Computação — todo projeto aprovado possui esses cinco pilares perfeitamente alinhados”, explicou.
Como funciona o “Pentágono da Pesquisa”
O protocolo criado pelo pesquisador é estruturado em cinco vértices fundamentais que, segundo ele, garantem rigor científico e clareza metodológica em qualquer trabalho acadêmico:
Teoria e metodologia: a base conceitual e os caminhos da pesquisa;
- Objeto: o fenômeno ou tema analisado;
- Tempo: o recorte cronológico do estudo;
- Espaço: o território ou contexto onde ocorre o fenômeno;
- Fonte: o conjunto de documentos e evidências que sustentam a análise.
Para Britto, a presença desses elementos evita dispersões e fortalece a argumentação durante avaliações acadêmicas.
“Sem fonte não há pesquisa acadêmica. Sem a fonte o pesquisador flutua no vazio”, destacou.
Após essa etapa, o pesquisador orienta os estudantes a aplicar o que chama de “Triângulo de Rigor”, estrutura que conecta tema, objetivo e conceitos para garantir coerência e consistência ao trabalho.
“Se o pesquisador respeitar essa geometria, a pesquisa se torna estruturalmente inatacável”, afirmou.
Aprovação
Os resultados do método já aparecem na trajetória acadêmica de Rafael Britto. Em curto período, ele foi aprovado em dois programas de pós-graduação da universidade:
Programa de Pós‑Graduação em Linguística e Literatura da Ufal (PPGLL)
Programa de Pós‑Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Ufal (PPGAU)
O pesquisador optou por cursar o doutorado em Arquitetura e Urbanismo, aprofundando estudos sobre violência urbana e organização das cidades, tema que investiga desde a graduação.
“Enquanto historiador, entendo os processos de formação da cidade e das políticas públicas. Ao dialogar com a Arquitetura, posso compreender como esses fatores influenciam a distribuição de serviços e estruturas urbanas”, explicou.
Produção científica e atuação acadêmica
Além da aprovação nos doutorados, Britto também acumula produção bibliográfica em livros e artigos científicos, incluindo participação na obra Ciência Política, Governança e Democracia.
Atualmente, ele participa de projetos acadêmicos ligados à Casa da Palavra, voltados à formação em escrita científica para estudantes de graduação, especialmente do curso de Comunicação em Medicina.
“O objetivo é que esses alunos, mesmo na graduação, estejam aptos a produzir textos acadêmicos de qualidade e participar de congressos e seminários”, disse.
Método já ajudou estudantes em aprovações
Segundo o historiador, o método já foi aplicado na orientação de diversos projetos acadêmicos dentro da universidade. Mais recentemente, a metodologia contribuiu para a aprovação de cinco projetos de mestrado em áreas diferentes, como Informática, Psicologia, Ciências Sociais e Comunicação.
Para ele, a principal contribuição do protocolo é desmistificar a produção científica e tornar o processo mais acessível aos estudantes.
“A genialidade acadêmica não é um dom místico, mas o domínio absoluto sobre a estrutura”, concluiu.


