Política

Quando Paulo deixar o governo, quem vai liderar a oposição a JHC?

Por Blog Edivaldo Junior 07/11/2026 08h08 - Atualizado em 07/11/2026 08h08
Quando Paulo deixar o governo, quem vai liderar a oposição a JHC?
Paulo Dantas e JHC - Foto: Reprodução

Terminada a batalha de 4 de outubro, JHC foi declarado vencedor. As forças adversárias bateram em retirada. Dispersas e atônitas. Agora, cada grupo para seu lado, focado nos seus projetos, de olho no médio e longo prazos.

Coube a Paulo guardar o território que o novo governador asssuma o comando, em 6 de janeiro. Nesse período, o ele tem governo para defender e precisa, mais do que isso, preparar a casa que será entregue ao seu adversário.

A transição seria traquila. Seria. Agora, mesmo com as perda paulatina de poder, Paulo precisa manter a cabeça erquida e resistir de pé por mais algumas semanas.

Se JHC questiona uma nomeação ou uma despesa que vai ficar para o próximo mandato, a defesa será feita por Paulo. Em janeiro ou antes disso, Paulo deixa o governo e a pergunta passa a "quem vai liderar a oposição ao novo governador?"

Dificilmente será Paulo. Com ou sem vaga no Tribunal de Contas, como se especula, ele deixa o Palácio República dos Palmares sem mandato eletivo. A tendência é que faça o que outros ex-governadores fizeram antes dele. Vai dar tempo ao tempo e ficar em silêncio. Se não for provocado, claro.

JHC faz um jogo inteligente. O embate em torno da nomeação de Otávio Lessa para a Arsal, por exemplo, mantém Paulo na discussão. O governador eleito questiona uma decisão da gestão que termina e concentra o debate justamente no adversário que menos deve incomodá-lo depois da posse.

E quem vai ocupar esse espaço? Pelo resultado da eleição, o primeiro nome é Renan Filho. Disputou o governo contra JHC, conhece a administração estadual e tem mandato para fazer oposição. Por enquanto, parece mais dedicado ao Senado e às conversas em Brasília. Resta saber se pretende assumir também a tarefa de reunir os aliados em Alagoas e responder pelo grupo quando surgirem as primeiras divergências com o novo governo.


Rafael Brito conhece JHC de outra disputa, a de Maceió. Isnaldo Bulhões tem peso no MDB e é ouvido pelos aliados, mas boa parte de sua atuação passa pela Câmara dos Deputados. Ronaldo Medeiros estará na Assembleia Legislativa, onde o governo precisará de votos para aprovar seus projetos. Cada um tem de onde fazer oposição. Falta saber quem está disposto a liderá-la.

Paulo ainda responde pelo grupo porque governa. Quando entregar o cargo, seus aliados terão de decidir se vão atuar juntos ou se cada um vai cuidar da própria agenda. Se prevalecer a segunda opção, JHC pode começar o governo sem ninguém para lhe dar maior trabalho. Pelo menos nas primeiras semanas.