Política
Vitória de Lula dá novo fôlego político a Paulo Dantas
Depois da derrota de Renan Filho para JHC, o governador participou da mobilização do segundo turno
Paulo Dantas não conseguiu eleger seu sucessor, mas chega à reta final do governo com uma vitória política a apresentar. A participação na campanha pela reeleição de Lula reforçou sua relação com o presidente e abriu perspectivas para o período em que estará fora do Palácio República dos Palmares.
Depois da derrota de Renan Filho para JHC, o governador participou da mobilização do segundo turno. Conversou com prefeitos, reuniu lideranças e trabalhou ao lado do PT para ampliar a votação de Lula em Alagoas.
O reconhecimento veio do presidente estadual do partido, deputado Ronaldo Medeiros. “Paulo foi decisivo, fundamental. Esteve ao nosso lado em todos os momentos”, afirmou em entrevista ao Blog do Edivaldo Júnior. Segundo Medeiros, o governador ajudou nas articulações, deixando o protagonismo das mobilizações com o PT e a militância.
Os números mostram o tamanho do avanço. Lula passou de 995.459 votos no primeiro turno para 1.152.621 no segundo. Foram 157.162 votos adicionais. Sua participação nos votos válidos subiu de 54,73% para 60,77%, uma diferença de 6,04 pontos percentuais.
Batalha, principal base política de Paulo, oferece um recorte importante. No município, Lula saiu de 6.197 votos, equivalentes a 61% dos válidos, para 7.187 votos e 68,12%. Ganhou 990 votos e avançou 7,12 pontos percentuais, acima da média estadual.
No mesmo intervalo, Flávio Bolsonaro perdeu 215 votos em Batalha: caiu de 3.579 para 3.364. A vantagem de Lula, que era de 2.618 votos, chegou a 3.823.
O resultado é compatível com o esforço de mobilização na base do governador. Os números, isoladamente, não permitem atribuir cada voto a uma liderança, mas, somados ao relato do comando do PT, reforçam a avaliação de que Paulo teve participação efetiva no crescimento.
O avanço também apareceu na capital. Mesmo com a vitória de Flávio Bolsonaro em Maceió, Lula ampliou sua votação de 203.850 para 250.761 votos. Foram 46.911 votos a mais, reduzindo a distância para o adversário.
Para Paulo, o segundo turno trouxe uma resposta política depois do revés estadual. A derrota na sucessão permanece, mas a reeleição do presidente preserva uma relação que terá importância a partir de janeiro, quando seu grupo passará à oposição em Alagoas.
Lula reeleito mantém o governo federal como espaço de interlocução dos aliados alagoanos. Isso pesa na reorganização do grupo, na relação com prefeitos e na construção de projetos futuros. Paulo poderá deixar o cargo conservando acesso ao presidente e reconhecimento pela atuação na campanha.
No plano nacional, a vitória também oferece um contraponto à força da direita no Congresso. Um novo mandato, porém, não garante por si só um governo mais forte: Lula terá de negociar apoio parlamentar e transformar o resultado eleitoral em condições para governar.
Em Alagoas, o efeito é mais imediato. O grupo derrotado na disputa pelo governo terá um aliado no Planalto. E Paulo poderá participar dessa reorganização com uma contribuição reconhecida pelo partido do presidente.
Até lá, cabe ao governador concluir o mandato, conduzir a transição e entregar o que ainda está sob sua responsabilidade. Com os pés no chão, sem antecipar disputas.
A vitória de Lula não apaga a derrota de outubro, mas melhora as condições políticas de Paulo para o que vem depois do governo.
