Política
Flávio se nega a dizer como fugiu aos EUA: “Levarei ao túmulo comigo”
Em entrevista ao New York Times, senador afirmou que decidiu deixar o país com a esposa
O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que organizou por conta própria a viagem que o levou do Brasil aos Estados Unidos e negou ter recebido ajuda de governos para deixar o país. Em entrevista ao jornal norte-americano The New York Times, o parlamentar evitou explicar como realizou o deslocamento e disse que manterá os detalhes em segredo.
“Foi tudo obra minha”, declarou Flávio ao jornal. “Não houve ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo.”
Questionado sobre como conseguiu chegar aos Estados Unidos, o senador respondeu: “Como cheguei até aqui”, acrescentou, “levarei isso para o túmulo comigo.”
Flávio afirmou que a decisão de deixar o Brasil foi tomada por ele e pela esposa, Fernanda Bolsonaro, na manhã do dia anterior à viagem. Segundo o parlamentar, a ideia surgiu depois de uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Ele relatou que o pai teria mencionado a possibilidade de uma prisão e reproduziu a conversa durante a entrevista:
“Ele olhou nos meus olhos e disse: 'Você já sabe onde eles querem chegar com isso, não é?'”
Flávio afirmou que respondeu estar preparado e saber o que precisava fazer. “Virei as costas e fui embora”, contou.
O senador também negou participação do irmão, Eduardo Bolsonaro, e de aliados na organização da viagem. “Pode ter havido torcida, mas nada além disso”, declarou.
Apesar da negativa de Flávio sobre ter recebido ajuda de governos, o próprio The New York Times informou que o avião utilizado pela família foi providenciado por um funcionário da Casa Branca. A informação contrasta com a versão apresentada pelo senador na entrevista.
A saída do Brasil ocorreu na noite de 27 de outubro. Flávio, a esposa e as duas filhas atravessaram a fronteira com a Argentina pela Ponte Internacional Tancredo Neves, em Misiones. Segundo a Direção Nacional de Migrações argentina, a entrada foi registrada às 22h50.
Cerca de 40 minutos depois, a família embarcou em uma aeronave particular da companhia Baires Fly com destino a Guayaquil, no Equador. De lá, seguiu para Miami, nos Estados Unidos, onde chegou na manhã de 28 de outubro.
Na Argentina, os quatro apresentaram documentos de viagem considerados válidos pelas autoridades locais. Flávio utilizou um passaporte italiano para entrar no país, segundo informações divulgadas pela imprensa.
Flávio, Fernanda e as filhas receberam autorização condicional para permanecer nos Estados Unidos por até um ano, por meio do mecanismo conhecido como parole. A modalidade permite a entrada ou permanência temporária de estrangeiros em situações específicas, conforme as regras migratórias norte-americanas.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também afirmou que a família poderá permanecer no país por tempo indeterminado.
A viagem ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar que Flávio entregasse seus passaportes à Polícia Federal. O senador não cumpriu o prazo estabelecido pela decisão, e a saída do país passou a ser acompanhada pelas autoridades brasileiras.
Durante a entrevista, o senador também voltou a questionar a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial. Flávio afirmou que o resultado seria “matematicamente impossível”, mas reconheceu não ter certeza absoluta sobre suas suspeitas.
“Perdi para o sistema”, declarou.
O parlamentar disse que pretende contestar judicialmente o resultado, embora reconheça que as chances de sucesso são pequenas. Também afirmou que pretende mobilizar aliados no Brasil para defender suas pautas políticas.
