Política

“Você não volta vivo”: aluno é ameaçado por posição política no DF

Mensagens enviadas por outro estudante também ameaçavam agredir cinco colegas

Por Redação 31/10/2026 17h05
“Você não volta vivo”: aluno é ameaçado por posição política no DF
Família teme retaliações - Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

Um adolescente de 17 anos foi ameaçado de morte por um colega em um grupo de WhatsApp formado por estudantes de sua turma, em uma escola do Distrito Federal. As mensagens, motivadas por divergências políticas durante a apuração da eleição presidencial, também incluíam ameaças contra outros cinco alunos e manifestações de intolerância religiosa.

A vítima, identificada pelo nome fictício Felipe, recebeu um áudio no qual o agressor dizia: “Eu juro que amanhã se você for para a escola você não volta vivo”. Antes da ameaça, o estudante também o havia ofendido por supostamente votar no presidente Luiz Inácio Lula da Silva: “você votou foi no Lula, seu esquerdista desgraçado”.

As mensagens foram enviadas enquanto os votos ainda eram apurados e Lula havia ultrapassado o adversário na disputa presidencial. O conteúdo dos áudios foi acessado pela Agência Brasil.

No mesmo grupo, o autor das mensagens afirmou que espancaria outros cinco colegas caso Flávio Bolsonaro perdesse a eleição. Em seguida, acrescentou: “só na faca”. Outro adolescente reagiu às publicações com curtidas e figurinhas de risadas.

Além das ameaças, o estudante também enviou mensagens com ofensas de cunho religioso contra os colegas.

Felipe é um adolescente transgênero e, segundo a mãe, identificada pelo nome fictício Aline, nunca havia enfrentado episódios de transfobia na escola. Por isso, a família ficou surpresa com a violência motivada por divergências políticas.

“A ideologia está afetando o discernimento dos jovens. Os adultos não conseguem lidar com as frustrações e ficam violentos e os jovens acabam absorvendo isso, transformam também a frustração em ódio”, afirmou Aline.

Após receber as ameaças, Felipe passou a semana sem frequentar as aulas e ainda temia retornar à escola na segunda-feira. A família não registrou boletim de ocorrência até o momento, por receio de expor o adolescente ou provocar possíveis retaliações.

Aline relatou que a direção da instituição informou que o estudante responsável pelo envio dos áudios e das mensagens foi transferido para outra escola. Já o aluno que demonstrou apoio às ameaças recebeu suspensão de quatro dias.

O episódio ocorre em meio a relatos de agressões contra crianças e adolescentes motivadas por posicionamentos políticos próprios ou de seus familiares. Segundo os relatos divulgados na última semana, os casos incluem ofensas verbais, provocações, agressões físicas e ameaças de morte.

As ocorrências levantam preocupações sobre a reprodução, no ambiente escolar, de discursos de intolerância e violência presentes no debate público. Também reforçam a importância de medidas de proteção às vítimas e de atuação das instituições de ensino diante de ameaças entre estudantes.