Política
Futuro governador não deve ceder à pressão: “Quem manda em JHC é o povo”
O deputado estadual Cabo Bebeto (PL) já havia divulgado um vídeo provocando JHC
O governador eleito JHC não participou do Bloco do 22, que reuniu uma multidão na orla de Maceió, na noite de quinta-feira (22), em apoio a Flávio Bolsonaro. Durante a manifestação, um grupo de participantes chegou a puxar um coro cobrando sua presença.
A cobrança não foi a primeira. O deputado estadual Cabo Bebeto (PL) já havia divulgado um vídeo provocando JHC, a senadora eleita Marina Cândia e o vice-prefeito Rodrigo Cunha pela falta de uma declaração de apoio a Flávio Bolsonaro. O ato, com a presença de Alfredo Gaspar e Carlos Bolsonaro, mostrou a força de mobilização da direita em Maceió. Circularam estimativas de mais de 100 mil participantes, mas não há levantamento independente que confirme esse número.
JHC não compareceu. E, pelo que dizem seus aliados, não será a pressão da direita (nem da esquerda, nem de niguém) que o fará mudar de posição.
Ao tomar conhecimento das cobranças, o secretário-geral do PSDB em Alagoas, Júnior Leão, ex-secretário de Governo de Maceió e um dos principais articuladores políticos do governador eleito, resumiu sua avaliação numa frase dirigida a interlocutores: "Quem manda em JHC é o povo."
O estilo de JHC
A frase ajuda a explicar o comportamento do governador eleito. JHC não costuma decidir sob pressão, seja da direita ou da esquerda. No primeiro turno, resistiu às cobranças de Arthur Lira e de outras lideranças que esperavam uma declaração de voto em Flávio Bolsonaro. Mesmo com o apoio do PL, manteve distância da disputa pela Presidência e venceu a eleição para governador.
Agora, mantém o mesmo comportamento. Quem acompanha sua trajetória sabe que JHC costuma avaliar pesquisas, ouvir aliados e confiar também na própria percepção antes de decidir. Não é do tipo que muda de posição apenas para atender a cobranças. Isso não significa que esteja decidido a permanecer em silêncio até domingo. Pode declarar voto, se entender que esse é o melhor caminho.
O Bloco do 22 mostrou a força do bolsonarismo em Maceió, impulsionada pela presença de Alfredo Gaspar e Carlos Bolsonaro. Mas a ausência de JHC deixou claro que o governador eleito não se sente obrigado a participar da campanha apenas porque seus aliados esperam isso dele.
Cabo Bebeto pode continuar cobrando. Outros aliados também. JHC pode até entrar nessa bola dividida. Mas, se decidir entrar, será por uma avaliação política própria, não por causa de uma provocação nas redes ou de um coro durante uma manifestação.

