Política
Dono da Veja jantou com Flávio Bolsonaro antes de reportagem sobre Lula e Vorcaro
Encontro foi mencionado em artigo na revista Piauí; PF e PGR contestaram informações sobre suposto financiamento de documentário sobre o presidente
O empresário Fábio Carvalho, controlador da revista Veja, participou de um jantar com o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) antes da publicação de uma reportagem que associou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master. O encontro foi mencionado pelo empresário João Moreira Salles em artigo publicado na revista Piauí.
Publicada em 9 de outubro, a reportagem da Veja afirmou que Vorcaro teria destinado dinheiro de forma irregular ao financiamento de um documentário sobre Lula, dirigido pelo cineasta Oliver Stone, e ao Instituto Lula. Segundo a publicação, os supostos repasses estariam relacionados à tentativa de obter acesso a negócios envolvendo fundos de pensão.
As alegações, porém, foram contestadas por órgãos oficiais e pela defesa do ex-banqueiro.
A Polícia Federal informou que Vorcaro não prestou depoimento com o conteúdo relatado pela revista nem entregou à instituição documentos ou informações com essas alegações. A Procuradoria-Geral da República (PGR) também negou ter recebido o material descrito pela publicação nas propostas de colaboração premiada.
Além disso, informações divulgadas pelo UOL a partir da análise do celular de Vorcaro apontaram que não foram encontradas evidências de pagamento ou patrocínio do documentário sobre Lula no período investigado. A reportagem da Veja também não apresentou comprovação de um encontro entre o presidente e o ex-banqueiro.
Jantar e questionamentos políticos
A participação de Fábio Carvalho no jantar com Flávio Bolsonaro ganhou repercussão após a publicação da reportagem, em meio à disputa eleitoral. A proximidade temporal entre o encontro e a divulgação das acusações levantou questionamentos sobre possíveis interesses políticos relacionados ao caso.
No entanto, a realização do jantar, por si só, não comprova que tenha havido interferência editorial ou articulação entre o empresário e o candidato para direcionar o conteúdo publicado.
O episódio ampliou o debate sobre a origem das informações divulgadas pela revista e sobre a utilização de acusações ainda contestadas no contexto eleitoral. A Polícia Federal e a PGR negaram que o suposto depoimento ou os documentos descritos pela publicação tenham sido formalmente apresentados às instituições nos termos relatados.
Com informações de Piauí, Terra, Folha de S.Paulo, UOL e Agência Lupa.
