Economia
Havan registra maior lucro de sua história após previsão de Hang não se concretizar
Empresário teria ameaçado 'parar' os negócios caso Lula voltasse ao poder, em 2022
O empresário Luciano Hang afirmou, durante a campanha presidencial de 2022, que reduziria investimentos e deixaria de fazer novos negócios no Brasil caso Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltasse à Presidência. Três anos depois, porém, a Havan registrou o maior lucro de sua história, com resultado líquido de R$ 1,49 bilhão em 2025.
O valor representa um crescimento de 249,7% em relação aos R$ 424,9 milhões registrados em 2022, segundo cálculos realizados pelo Brasil de Fato com base em demonstrações financeiras da companhia.
A expansão continuou em 2026. No primeiro trimestre, a rede obteve lucro líquido de R$ 285,4 milhões, alta de 12,9% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O faturamento bruto alcançou R$ 4,56 bilhões, crescimento de 18,7%.
Entre 2022 e 2025, o faturamento anual passou de R$ 14,25 bilhões para R$ 18,34 bilhões, avanço nominal de 28,7%. A situação financeira também mudou: a empresa encerrou 2022 com dívida líquida de R$ 1,28 bilhão e terminou 2025 com R$ 580 milhões em caixa líquido. Segundo a companhia, todas as operações mantidas com bancos foram quitadas naquele ano.
Expansão
Durante o governo Lula, a Havan também ampliou o número de lojas. Os balanços da empresa registravam 171 unidades em operação no fim de 2022, número que subiu para 184 em 2025. No primeiro trimestre de 2026, a rede chegou a 187 lojas.
Em outubro deste ano, a empresa anunciou a abertura de sua 197ª unidade, em Macapá (AP). Segundo publicação no LinkedIn, a previsão é encerrar 2026 com 203 lojas e faturamento de R$ 22 bilhões.
Os resultados contrastam com declarações feitas por Hang antes das eleições de 2022. Em entrevista à revista Veja, em agosto daquele ano, o empresário afirmou que a Havan tinha mais de 60 projetos aprovados, mas poderia interromper os investimentos caso Lula vencesse. “Nós vamos parar”, declarou.
Dois dias antes do segundo turno, em entrevista ao podcast Os Sócios, Hang voltou a questionar a possibilidade de investir no país sob um governo petista. “Quem vai investir em um país que vai quebrar lá na frente?”, perguntou. A entrevista foi transmitida em 28 de outubro, dois dias antes da vitória de Lula nas urnas.
Após o resultado eleitoral, o empresário manteve o discurso de preocupação. Em 2 de novembro, foi filmado em um restaurante de Brusque (SC), falando a apoiadores de Jair Bolsonaro. “Temos ainda alguma chance, não sei mais. Se eles tomarem o poder, acabou, pessoal”, afirmou. “Agora, ainda acho que dá tempo, vamos esperar, tá?” O episódio foi registrado pela Agência Pública.
No dia anterior, a Havan havia divulgado uma nota na qual Hang negava participação nos bloqueios de rodovias e afirmava: “Desejamos o melhor para o Brasil e para todos os brasileiros”. Questionada pela Veja sobre a promessa de suspender investimentos, a assessoria do empresário não respondeu.
Economia brasileira
A previsão de quebra do país não se confirmou nos três primeiros anos completos do atual governo. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 3,2% em 2023, 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025.
O mercado de trabalho também apresentou melhora. A taxa média de desemprego caiu de 9,3% em 2022 para 5,6% em 2025, menor índice da série histórica iniciada em 2012. O país terminou o ano passado com 103 milhões de pessoas ocupadas, recorde do levantamento.
Processos por assédio eleitoral
Hang e a Havan também enfrentam processos relacionados a denúncias de assédio eleitoral contra trabalhadores. A empresa afirma ter cerca de 25 mil funcionários em todo o país.
Em 2018, a Justiça do Trabalho proibiu o empresário e a rede de pressionar empregados ou realizar pesquisas de intenção de voto entre os funcionários, após declarações de Hang que associavam o resultado eleitoral ao futuro das lojas e dos empregos. O caso resultou em condenação em primeira instância em 2024.
Em fevereiro de 2025, após recursos das duas partes, a Havan e o Ministério Público do Trabalho (MPT) firmaram um acordo. A empresa se comprometeu a não promover enquetes, pesquisas ou atos de caráter eleitoral direcionados aos funcionários dentro de suas unidades.
Em setembro de 2026, o MPT voltou a processar Hang e a empresa, pedindo R$ 30 milhões por danos morais coletivos. A ação foi motivada por um discurso feito pelo empresário durante a inauguração de uma loja em Caldas Novas (GO), em 29 de agosto, no qual criticou a proposta de fim da escala 6x1 e relacionou o tema às eleições. O processo tramita na Justiça do Trabalho de Goiânia.
*Informações de Brasil de Fato
