Política
Marina conquista maior votação feminina da história de Alagoas
Foi sua primeira eleição e, ainda assim, Marina conseguiu uma votação superior à de mulheres com trajetórias políticas consolidadas
Marina Cândia, a Marina JHC, entra para a história política de Alagoas. Eleita senadora com 926.860 votos, a ex-primeira-dama de Maceió conquistou a maior votação nominal já recebida por uma mulher em uma eleição estadual alagoana.
Foi sua primeira eleição e, ainda assim, Marina conseguiu uma votação superior à de mulheres com trajetórias políticas consolidadas, incluindo Heloísa Helena, que foi eleita senadora em 1998, disputou a Presidência da República em 2006 e tentou retornar ao Senado em 2010.
Marina chegou a liderar a apuração em vários momentos e recebeu 28,20% dos votos válidos para o Senado. Ela ficou atrás apenas de Arthur Lira (PP), eleito com 948.703 votos. Os dois derrotaram Renan Calheiros (MDB), que tentava conquistar o quinto mandato consecutivo.
A diferença entre Marina e Lira foi de apenas 21.843 votos, um resultado expressivo para uma candidata estreante que disputou com dois dos políticos mais experientes do Estado e com forte influência em Brasília.
Votação histórica
Para dimensionar a conquista, basta comparar o desempenho de Marina com algumas das principais candidaturas femininas anteriores.
Em 1998, Heloísa Helena foi eleita senadora com 374.931 votos. Doze anos depois, em 2010, tentou retornar ao Senado e recebeu 417.636 votos, mas não conseguiu se eleger.
Na mesma eleição de 2010, Célia Rocha conquistou 124.504 votos e foi eleita deputada federal, com a segunda maior votação para a Câmara dos Deputados em Alagoas naquele ano, uma das maiores já alcançadas por uma mulher no Estado para o cargo.
Antes e depois de Célia, poucas mulheres conseguiram se eleger deputadas federais por Alagoas, entre elas Ceci Cunha, Rosinha da Adefal e Tereza Nelma.
Marina superou essas marcas e ultrapassou os 900 mil votos, resultado que a coloca em uma posição inédita entre as mulheres que disputaram eleições estaduais em Alagoas.

Marinha Candia, senadora eleita por Alagoas. Reprodução InstagramA força do casal JHC e Marina
A eleição também amplia o peso político da família Caldas. JHC chega ao governo de Alagoas depois de dois mandatos como prefeito de Maceió, enquanto Marina conquista uma cadeira no Senado com mandato de oito anos.
A votação de Marina foi construída em uma campanha diretamente associada à imagem e à popularidade do marido, mas a candidata também teve participação importante na construção desse resultado.
A senadora eleita soube se posicionar durante a campanha, partiu para o enfrentamento direto contra Renan Calheiros, mas manteve o sorriso aberto e a simpatia no contato com os eleitores.
Marina ganhou com a "grife JHC", é fato, mas sai da eleição com marca própria.
A partir de 2027, o casal estará presente em dois espaços importantes de poder: o Palácio República dos Palmares e o Senado Federal.
Marina terá pela frente o desafio de transformar sua expressiva votação em atuação parlamentar, consolidar uma identidade política e demonstrar capacidade de representar os interesses de Alagoas em Brasília.
Sua eleição também encerra um longo intervalo sem mulheres eleitas diretamente para o Senado pelo Estado. A última havia sido Heloísa Helena, em 1998. Nesse período, Eudócia Caldas, mãe de JHC, assumiu definitivamente o mandato de senadora na vaga de Rodrigo Cunha, que renunciou para assumir a Vice-Prefeitura de Maceió.
Vinte e oito anos depois, outra mulher chega ao Senado pelo voto direto em Alagoas. Desta vez, com uma votação que estabelece uma nova marca na história política estadual.
