Política
Mauro Mendes critica fim da 6x1 e defende jornadas de até 16 horas
Declaração ocorreu no momento em que o Senado iniciou a discussão da PEC
O senador eleito por Mato Grosso Mauro Mendes (União) se posicionou contra o fim da escala 6x1 e defendeu maior flexibilização das regras trabalhistas no Brasil. Ao comentar a discussão sobre a jornada de trabalho, o ex-governador citou brasileiros que vivem nos Estados Unidos e afirmou que alguns chegam a trabalhar entre 10 e 16 horas por dia.
A declaração foi dada na segunda-feira (5), um dia após Mendes ser eleito para uma das duas vagas de Mato Grosso no Senado. O posicionamento ocorre justamente no início da discussão da PEC 221/2019, que propõe reduzir a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, estabelecer dois dias de repouso remunerado e manter os salários. A proposta começou a ser debatida no Plenário do Senado nesta terça-feira (6).
Ao defender mudanças nas regras trabalhistas, Mendes afirmou que alterações feitas sem aprofundamento poderiam provocar impactos negativos na economia.
“Essas mudanças feitas sem muita profundidade podem ser muito ruins e graves para o país. Eu, particularmente, defendo que o trabalhador no Brasil possa trabalhar como se trabalha nos Estados Unidos”, afirmou.
Na sequência, o senador eleito citou brasileiros que deixam o país para trabalhar nos Estados Unidos e cumprem jornadas mais longas.
“Lá nos Estados Unidos nós temos milhares e milhares, centenas de milhares de brasileiros que fogem daqui, entram clandestinamente nos Estados Unidos para trabalhar 12, 14, 16 horas por dia, 10 horas por dia. E ganham por isso, ganham muito mais por isso e têm uma qualidade de vida melhor”, declarou.
A comparação foi feita por Mendes como argumento para defender uma legislação trabalhista mais flexível. Segundo ele, as regras brasileiras seriam excessivamente rígidas e poderiam limitar a liberdade entre trabalhadores e empresas.
“No Brasil, se um trabalhador trabalhar 11 horas por dia, o patrão, a empresa, vai ser processado por trabalho escravo. Olha que absurdo”, disse.
A declaração ocorre enquanto o Senado debate uma proposta que busca justamente ampliar o período de descanso dos trabalhadores. A PEC 221/2019 estabelece jornada de até 40 horas semanais, que pode ser distribuída em cinco dias de oito horas, com dois dias de repouso semanal remunerado, sem redução salarial. Para avançar, a proposta ainda precisa cumprir as etapas de discussão e votação previstas no Senado.
Mendes defende flexibilização das relações de trabalho
Durante a entrevista, Mauro Mendes também defendeu uma reforma mais ampla da legislação trabalhista. Para ele, o maior acesso à informação teria reduzido a necessidade de uma atuação mais rígida do Estado na proteção dos trabalhadores.
“Antigamente existia uma desinformação muito grande. Hoje todo mundo tem informação na palma da mão, as pessoas conseguem se autotutelar. Não precisa achar que o Estado tem que proteger todo mundo, que tem que criar leis rígidas para proteger o trabalhador”, afirmou.
A avaliação coloca em debate justamente o papel da legislação trabalhista como mecanismo de proteção diante da desigualdade existente na relação entre empregados e empregadores. Ao defender maior liberdade econômica, Mendes afirmou que o Estado deveria garantir uma relação que considera justa entre trabalho e capital.
“Tem que ter uma relação justa entre trabalho e capital. O Estado existe para isso. Porém, tem que ter mais liberdade econômica para que haja uma capacidade do país se desenvolver economicamente e os próprios trabalhadores produzirem mais, ganharem mais”, completou.
O senador eleito também defendeu a flexibilização de normas que considera pouco eficientes para o desenvolvimento econômico.
“Flexibilizando algumas regras que, ao meu ver, não são produtivas e não são eficientes para o Brasil”, disse.
Eleição para o Senado
Mauro Mendes foi eleito no domingo (4) para uma das duas vagas de Mato Grosso no Senado. Com 100% das urnas apuradas, recebeu 1.187.352 votos, o equivalente a 33,21% dos votos válidos.
A segunda vaga ficou com Zé Medeiros (PL), que recebeu 977.777 votos, ou 27,35%. A votação de Mendes estabeleceu ainda um novo recorde para uma eleição ao Senado em Mato Grosso, superando a marca de 1.073.039 votos obtida por Blairo Maggi em 2010.
Mauro deixou o governo de Mato Grosso em 2026 para disputar o Senado e deverá assumir o mandato de oito anos em fevereiro de 2027.
