Política

Governo Lula negocia com administração Trump nos EUA para evitar tarifaço

Segundo o Itamaraty, foi criado um grupo de trabalho para buscar um entendimento sobre as taxas de 25% e 12,5% aplicadas a diversas exportações brasileiras

Por Sputnik Brasil com Redação 30/09/2026 13h01
Governo Lula negocia com administração Trump nos EUA para evitar tarifaço
Foto: © Reprodução/Redes sociais

As tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros foram tema central de uma reunião realizada nesta quarta-feira (30) entre os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira, de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer.

Segundo o Itamaraty, foi criado um grupo de trabalho para buscar um entendimento sobre as taxas de 25% e 12,5% aplicadas a diversas exportações brasileiras.

"Durante a reunião, os ministros brasileiros reafirmaram a disposição do Brasil de avançar, por meio do diálogo e da negociação, na construção de soluções para os temas que afetam o comércio bilateral, sempre tendo como referência a defesa dos interesses brasileiros e a ampliação das oportunidades para empresas e setores produtivos dos dois países", informou o Ministério das Relações Exteriores.

O encontro, previsto pela delegação brasileira desde o início do mês, teve duração de menos de uma hora e ocorreu paralelamente ao G20 do Comércio, em Milwaukee, nos Estados Unidos. Ainda de acordo com o Itamaraty, a reunião deu continuidade ao diálogo de alto nível entre Brasil e EUA, iniciado após a ligação telefônica de 21 de agosto entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.

Na semana passada, durante a Assembleia Geral da ONU, o presidente Lula enfatizou a defesa da soberania nacional e criticou tentativas de ingerência externa na política e economia do Brasil.

No dia 25 de setembro, representantes dos dois países realizaram a primeira rodada de consultas na Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra, sobre as tarifas impostas por Washington às exportações brasileiras.

O encontro terminou sem acordo, abrindo um prazo de 60 dias para solucionar a disputa. Os diplomatas brasileiros apresentaram três argumentos contra as medidas: alegaram que Washington ultrapassou os limites tarifários assumidos ao ingressar na OMC, tratou o Brasil de forma menos favorável que outros países em situação semelhante e aplicou as tarifas sem submeter previamente a questão ao sistema de solução de controvérsias da organização.

As consultas foram solicitadas pelo Brasil em 27 de julho e aceitas pelos EUA em 6 de agosto. Se não houver solução nos próximos 60 dias, o Brasil poderá pedir a abertura de um painel na OMC para analisar a disputa.

Os Estados Unidos acusam o Brasil de utilizar o Pix, comércio digital, questões de propriedade intelectual e restrições ao acesso ao mercado brasileiro de etanol para prejudicar o comércio americano. O Escritório Comercial dos EUA (USTR) também alega que o Brasil obtém vantagens comerciais por meio do uso de "trabalho forçado".

O processo pode se estender até 2027 e, mesmo que o Brasil obtenha decisão favorável, o órgão de apelação do sistema de solução de controvérsias da OMC está sem juízes desde 2019. Ainda assim, uma eventual vitória brasileira pode fortalecer a posição do país nas negociações com Washington.

Por Sputnik Brasil