Política

JHC pode virar o maior cacique de Alagoas: governo, Maceió e Senado

Se JHC vencer em 4 de outubro, poderá sair das urnas com um poder político muito maior do que o que já exerce hoje

Por Blog Edivaldo Junior 26/09/2026 18h06
JHC pode virar o maior cacique de Alagoas: governo, Maceió e Senado
JHC pode ser tornar o político mais poderoso de Alagoas - Foto: ViniLoures

A eleição para o Governo de Alagoas pode mudar muito mais do que o ocupante do Palácio República dos Palmares. Se JHC vencer em 4 de outubro, poderá sair das urnas com um poder político muito maior do que o que já exerce hoje. Ele deixou a Prefeitura de Maceió em abril para disputar a eleição, mas o comando da capital ficou com Rodrigo Cunha, eleito vice em sua chapa em 2024.

Ao assumir, Cunha afirmou que daria continuidade às diretrizes e aos projetos da administração iniciada por JHC, o que mantém a prefeitura politicamente ligada ao mesmo grupo. Até o momento praticoametne todas os cargos de primeiro escalão são indicados por JHC, que mantém uma pessoa de sua confiança. o coronel Diego, assinando nomeações e exonerações na prefeitura de Maceió

Ao mesmo tempo, JHC disputa o governo tendo ao seu lado Arthur Lira, candidato ao Senado e Marina Candia, sua mulher, também candidata a uma das duas vagas de senador por Alagoas. A composição foi fechada em agosto, quando JHC confirmou a candidatura ao governo e Lira passou a integrar formalmente o mesmo palanque.

Se vencer o governo e Marina também chegar ao Senado, JHC poderá ter, ao mesmo tempo, o Governo do Estado, o comando da Prefeitura de Maceió e a possibilidade de maner uma pessoa da família no Senado, em Brasília. Atualmente a mãe dele, Eudócia Caldas, é senadora (ela era primeiro suplente e substituiu Rodrigo Cunha) e pode continuar no cargo.

Novamente candidata a primeiro suplente, Eduócia pode assumir no lugar de Marina, que segundo diferentes versões de bastidores, seria convocada paera assumir cargo num eventual futuro governo do seu marido, JHC.

Se Lira também for eleito, duas das vagas alagoanas em disputa no Senado poderão ficar com nomes da mesma aliança política.

É um cenário diferente do que ocorreria com uma eventual vitória de Renan Filho. O senador do MDB tem mandato até 2031 e, se assumir o governo, deixará a cadeira para o primeiro suplente, Fernando Farias. Maceió, por outro lado, continuaria sob o comando de Rodrigo Cunha, adversário político do grupo de Renan Filho.

JHC, portanto, tem a possibilidade de ampliar um poder político que já é grande. Além da prefeitura da capital e da aliança com Lira, sua família ganhou espaço nacional com a chegada de sua tia, Marluce Caldas, ao Superior Tribunal de Justiça. A aproximação de JHC com Lula ocorreu justamente durante o processo que levou à indicação dela para o STJ.

Na época, também surgiram relatos de um entendimento político envolvendo JHC e o governo federal. Reportagens registraram que ele havia sinalizado a Lula que disputaria o Senado, decisão que acabou mudando no último dia das convenções, quando confirmou a candidatura ao Governo de Alagoas.

Uma eventual vitória também aumentaria naturalmente o peso de JHC nas articulações para a Assembleia Legislativa, na composição do futuro governo e na relação com outros poderes e instituições. Não significa que esses espaços estariam automaticamente sob seu controle, mas um governador eleito com a prefeitura da capital politicamente próxima e aliados fortes no Senado começaria o mandato em posição muito diferente da atual.

É por isso que, se vencer em 4 de outubro, JHC poderá sair da eleição não apenas como governador. Poderá sair como o maior cacique da política de Alagoas.

Imprensa

Há ainda um capítulo que pesa nessa discussão: a relação de JHC e de seu grupo com jornalistas, veículos de comunicação e críticos. Mais recentemente, a Folha de S.Paulo registrou o caso da Tribuna do Sertão, obrigada por decisão judicial a recolher exemplares de uma edição que mencionava investigação relacionada a JHC. A Associação Nacional de Jornais criticou a medida como restrição à liberdade de imprensa.

Comandar ao mesmo tempo prefeitura de Maceió e governo de Alagoas daria a qualquer um o poder não só de influenciar políticos e insituções, mas tamb´rm o poder de cercear a imprensa.