Política
Mendonça mantém sob sigilo investigação sobre o ex-governador Castro
Ministro do STF negou pedido de busca e apreensão feito pela Polícia Federal
A despeito da liberação de mais de 50 processos do caso Master promovida pelo Supremo Tribunal Federal, o ministro André Mendonça optou por preservar em segredo de Justiça uma ramificação das investigações que mira o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro. A decisão sigilosa refere-se ao indeferimento de um pedido de busca e apreensão formulado pela Polícia Federal no mês de julho.
A Polícia Federal investiga a participação do ex-gestor fluminense no direcionamento de R$ 3 bilhões do fundo Rioprevidência para a instituição financeira. Após a realização de uma primeira diligência em maio na residência do investigado, os agentes de segurança solicitaram novas buscas em uma sala comercial no centro da capital fluminense e em um imóvel em Petrópolis, sob a justificativa de possível transferência e ocultação de provas. A medida obteve parecer favorável do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Ao rejeitar a solicitação, Mendonça justificou a ausência de indícios mínimos contemporâneos para fundamentar uma nova incursão policial, ressaltando que ações judiciais não devem servir como instrumentos de devassa pessoal. O magistrado manteve o procedimento em segredo sob o argumento de que a apuração permanece aberta para a eventual apresentação de novos elementos de prova.
Investigadores da Polícia Federal criticaram a manutenção do sigilo e apontaram seletividade no ritmo das decisões do gabinete. A controvérsia integra um contexto de desgaste no Supremo Tribunal Federal, no qual conversas obtidas em outra operação revelaram trocas de mensagens institucionais entre o ministro e o ex-governador em 2022. Em notas oficiais, o gabinete do magistrado e a defesa de Castro afirmaram que o relacionamento entre ambos sempre esteve restrito ao âmbito institucional, enquanto a defesa do ex-governador negou qualquer irregularidade nos aportes do Rioprevidência.
