Política
Vídeo: Estratégia ou enganação?
Ronaldo Lessa passou a pedir voto casado em JHC para governador e Lula para presidente
Primeiro foi Célia Rocha. Ela publicou um card com Luciano Barbosa ao lado de JHC, Marina Candia e Arthur Lira, embora o prefeito de Arapiraca estivesse naquele mesmo dia em campanha com Renan Filho. A reação foi imediata, e Luciano respondeu do seu jeito: foi às ruas, participou de carreata e reforçou publicamente o apoio ao candidato do MDB.
Agora surgiu outro movimento. Ronaldo Lessa passou a pedir voto casado em JHC para governador e Lula para presidente. Em postagem nas redes, escreveu: “fazemos parte do time que vota JHC 45 em Alagoas e Lula 13 para presidente”.
A combinação é possível como posição pessoal de Lessa. Mas ela não combina com a realidade das duas campanhas nacionais em Alagoas.
Lula declarou apoio a Renan Filho e participa nesta quinta-feira (24/09) de ato de campanha com o candidato do MDB, em Maceió. Já Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, declarou publicamente que JHC é seu candidato ao Governo de Alagoas e também manifestou apoio a Marina Candia e Arthur Lira para o Senado.
Há ainda uma particularidade partidária. O PDT apoia Lula nacionalmente, mas em Alagoas integra a coligação de JHC ao lado do PL. Esse arranjo é raro, embora não seja exclusivo do Estado: levantamento do SBT News apontou que, entre os partidos que apoiam Lula, o PDT aparece coligado com o PL nas disputas estaduais de Alagoas e do Acre.
Ou seja: em Alagoas, Ronaldo Lessa pede voto em Lula enquanto trabalha por uma chapa estadual que reúne o partido de Flávio Bolsonaro e candidatos apoiados por ele.
É aí que entra a pergunta do Tema de Hoje. Isso é apenas estratégia eleitoral, tentando conversar com eleitorados diferentes dentro da mesma coligação? Ou esse tipo de associação pode confundir o eleitor sobre quem apoia quem?
No caso de Célia, a reação de Luciano foi rápida e pública. No caso de Lessa, a própria presença de Lula ao lado de Renan Filho nesta reta final tende a deixar ainda mais exposta a diferença entre a preferência pessoal do ex-governador e o palanque efetivamente montado pelo presidente em Alagoas.
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