Política

Alagoas envelhece: população 60+ cresce 48%; crianças caem 22%

Os números desenham uma Alagoas bem diferente daquela de pouco mais de uma década atrás

Por Blog Edivaldo Junior 15/09/2026 12h12
Alagoas envelhece: população 60+ cresce 48%; crianças caem 22%
. - Foto: Reprodução

Basta olhar as ruas, as academias, os shoppings, as praias. E se tiver dúvida, dá uma espiada nas estatísticas do IBGE. Alagoas está ficando mais velho. Entre os censos de 2010 e 2022, a população com 60 anos ou mais saltou de 276,8 mil para 409,2 mil pessoas. Foram 132,4 mil idosos a mais, crescimento de 47,9% em apenas 12 anos.

No outro extremo, aconteceu o inverso. A população de 0 a 14 anos caiu de cerca de 910,4 mil para 711,7 mil pessoas, redução de 21,8%. Alagoas diminuiu quase 199 mil crianças enquanto ganhava mais de 132 mil idosos.

A mudança foi mais ampla. Entre 2010 e 2022, a população de 15 a 29 anos também diminuiu, de 875,1 mil para 759,8 mil, queda de 13,2%. Já a faixa entre 30 e 59 anos cresceu 17,8%, de 1,058 milhão para 1,247 milhão.

Os números desenham uma Alagoas bem diferente daquela de pouco mais de uma década atrás. De cada 100 crianças, já há quase 58 idosos. Em 2010, apenas 8,9% dos alagoanos tinham 60 anos ou mais. Em 2022, passaram a representar 13,1% da população.

Ao mesmo tempo, a participação das crianças de até 14 anos recuou de 29,2% para 22,8%.

O chamado índice de envelhecimento praticamente dobrou. Alagoas tinha 30,4 pessoas com 60 anos ou mais para cada grupo de 100 crianças em 2010. Em 2022, já eram 57,5 idosos para cada 100 menores de 15 anos (IBGE).

A idade mediana dos alagoanos também avançou rapidamente. Era de 25 anos em 2010 e chegou a 32 em 2022. Isso significa que metade da população alagoana tem até 32 anos e a outra metade está acima dessa idade. (IBGE).

Não é um fenômeno isolado Alagoas ainda é mais jovem que Brasil e Nordeste. O Estado envelhece rápido, mas ainda tem uma população um pouco mais jovem que a média regional e nacional.

Em 2022, a idade mediana era de 32 anos em Alagoas, 33 no Nordeste e 35 no Brasil. O índice de envelhecimento também era menor: 57,5 idosos para cada 100 crianças em Alagoas, contra 68,5 no Nordeste e 80 no país.

No Brasil, a população com 65 anos ou mais cresceu 57,4% entre 2010 e 2022, enquanto o número de crianças de até 14 anos caiu 12,6%. O envelhecimento da população é nacional, mas em Alagoas chama atenção pelo contraste entre o rápido crescimento dos idosos e a redução ainda maior da população infantil.

E vem mais

A curva não deve perder força. Estimativas utilizadas pela Secretaria de Estado da Saúde apontam que Alagoas já tinha, em 2025, aproximadamente 453,6 mil pessoas com 60 anos ou mais, correspondentes a 14,1% da população. Desse total, 252,2 mil estavam entre 60 e 69 anos, 141,8 mil entre 70 e 79 e quase 60 mil tinham 80 anos ou mais.

Há ainda outro grupo numeroso logo atrás. Alagoas tinha cerca de 358,6 mil pessoas entre 50 e 59 anos em 2025. Grande parte delas entrará na faixa dos 60+ ao longo da próxima década.

A Secretaria de Estado da Saúde aponta uma data para uma mudança histórica na pirâmide populacional alagoana. Em 2037, daqui a 11 anos, Alagoas deverá ter mais pessoas com 60 anos ou mais do que crianças e adolescentes de 0 a 14 anos.

A projeção faz parte da Análise da Situação de Saúde de Alagoas, elaborada com dados demográficos e projeções populacionais. Não significa que haverá mais idosos do que todos os jovens. A comparação é especificamente entre a população de 60 anos ou mais e a faixa de 0 a 14 anos. Mas é suficiente para mostrar o tamanho da mudança.

Hospital

A transformação demográfica ajuda a dimensionar a entrega, nesta terça-feira (15/09), do primeiro Hospital da Pessoa Idosa de Alagoas. A unidade, na parte alta de Maceió, recebeu mais de R$ 22 milhões em investimentos e terá 62 leitos, sendo 20 de UTI, além de atendimento especializado em geriatria, reabilitação e diagnóstico. O atendimento será regulado e exclusivo para pacientes a partir dos 60 anos.

O hospital chega quando a demanda já passa de 400 mil pessoas — e tende a aumentar todos os anos. Durante muito tempo, Alagoas teve uma população predominantemente jovem. As políticas públicas foram estruturadas olhando principalmente para infância, maternidade, emprego para jovens e expansão educacional.

Em 12 anos, a população idosa cresceu 48%; a infantil caiu 22%. A idade mediana avançou sete anos. E, em pouco mais de uma década, o Estado deverá ter mais idosos do que crianças.

O primeiro Hospital da Pessoa Idosa não atende apenas uma demanda de hoje. Ele começa a responder a uma Alagoas que será cada vez mais velha.