Política
Investigação sobre filme de Bolsonaro envolve empresário ligado ao PCC
A relação de Alex com o caso surgiu a partir de uma empresa ligada a ele que foi contratada pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização comandada por Karina Ferreira da Gama
As investigações sobre possíveis irregularidades envolvendo recursos públicos e o financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), avançaram sobre empresas e pessoas relacionadas a contratos firmados com o poder público. Entre os nomes citados nos documentos está o empresário Alex Leandro Bispo dos Santos, apontado pela polícia como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC) e que responde por feminicídio.
A relação de Alex com o caso surgiu a partir de uma empresa ligada a ele que foi contratada pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização comandada por Karina Ferreira da Gama. O instituto mantém um contrato com a Prefeitura de São Paulo para a instalação de pontos de internet gratuita. Karina também é proprietária da Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme Dark Horse.
De acordo com as investigações da Polícia Civil de São Paulo, a empresa de Alex foi subcontratada pelo ICB para executar parte dos serviços previstos no acordo com a prefeitura. A própria contratação firmada entre o instituto e o município também é alvo de apuração por possíveis irregularidades.
Um relatório elaborado pela polícia e encaminhado ao Ministério Público aponta uma diferença significativa entre os valores praticados anteriormente pela Prefeitura de São Paulo e os estabelecidos no contrato com o Instituto Conhecer Brasil. Segundo o documento, acordos anteriores firmados pelo município com a empresa pública Prodam previam R$ 230 para a instalação de cada ponto de internet e R$ 306 mensais pela manutenção.
No contrato firmado com o ICB, entretanto, foi estabelecido o pagamento de R$ 1.800 por mês para cada ponto instalado. Para os investigadores, a diferença representa uma “expressiva discrepância econômica” em relação aos valores praticados anteriormente.
As apurações sobre o contrato começaram a ganhar destaque em junho, quando a Polícia Civil de São Paulo realizou uma operação para investigar possíveis irregularidades na execução dos serviços contratados pelo instituto.
Paralelamente, a Polícia Federal deflagrou a Operação Make Up para apurar suspeitas de desvio de emendas parlamentares e verificar se parte dos recursos teria sido utilizada no financiamento de Dark Horse. Karina da Gama foi um dos alvos da operação. O deputado federal Mario Frias (PL-SP), roteirista e produtor-executivo do longa, também foi incluído entre os investigados.
A possível relação de pessoas e empresas investigadas com o PCC aparece em documentos analisados no caso que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Flávio Dino, relator da investigação, retirou o sigilo de decisões e documentos relacionados ao processo no domingo (13).
As investigações ainda estão em andamento e deverão esclarecer a origem e a destinação dos recursos envolvidos nos contratos, além de eventual relação entre os valores públicos investigados e o financiamento do filme.
