Política

Banco Master: Moraes questiona Fachin sobre divulgação seletiva de documentos

Ministro apontou que, apesar da decisão de Fachin determinando a publicação dos documentos ligados às investigações, pelo menos 180 materiais permanecem sob sigilo

Por Sputnik Brasil 11/09/2026 14h02
Banco Master: Moraes questiona Fachin sobre divulgação seletiva de documentos
Alexandre de Moraes enviou um ofício ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin - Foto: © Foto / Bruno Peres/Agência Brasil

O ministro Alexandre de Moraes enviou um ofício ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, questionando a postura do ministro André Mendonça na divulgação de informações relacionadas ao caso do Banco Master.

Moraes apontou que, apesar da decisão de Fachin determinando a publicação dos documentos ligados às investigações, pelo menos 180 materiais permanecem sob sigilo. "Ao cumprir parcialmente a decisão de Vossa Excelência, o ministro André Mendonça, diretamente interessado no julgamento de ambas as PETs 16.704 e 16.662, selecionou subjetivamente o levantamento do sigilo, tornando público somente o que entendeu conveniente", afirmou Moraes.

Na última quinta-feira (10), Fachin determinou a retirada do sigilo dos processos referentes ao Banco Master, desde que não prejudicassem as investigações em andamento. Informações consideradas essenciais para o andamento das diligências permaneceram confidenciais.

Segundo o ofício de Moraes, Mendonça liberou a publicação de apenas 14 procedimentos relacionados ao caso, além do processo principal, número que indica descumprimento parcial da decisão do presidente do STF.

Entre os dados já divulgados está a investigação contra o senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), sobre o financiamento do filme "Dark Horse", produção que aborda o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro passou a ser formalmente investigado após decisão de Mendonça, em 22 de julho, atendendo a pedido da Polícia Federal (PF), que apura possíveis crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção no financiamento do filme junto ao Banco Master.

Documentos apontam que Flávio negociou diretamente com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro o repasse de pelo menos US$ 24 milhões (R$ 122,4 milhões) para a produção do longa-metragem nos Estados Unidos, dos quais US$ 12,3 milhões (R$ 66,3 milhões) teriam sido efetivamente pagos.

O relatório também cita a participação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e do advogado Paulo Calixto na estruturação financeira das operações.

Aliado de Flávio é alvo de operação da PF

No mesmo dia, o ministro Flávio Dino autorizou uma operação da Polícia Federal para apurar irregularidades no financiamento do filme, incluindo suspeitas de desvio de R$ 750 mil e uso de recursos públicos de emendas parlamentares. Entre os alvos estava o deputado federal Mário Frias (PL-SP).

Segundo relatório, Frias teria destinado R$ 2 milhões em emendas ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG presidida por Karina Gama, que também é proprietária da Go Up Entertainment, produtora do filme. Flávio Bolsonaro classificou a operação como "fajuta" e declarou: "Faltam 24 dias para a eleição, eles precisam inventar alguma coisa contra mim".

Outro ponto da investigação envolve a delação premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, que relatou ter feito remessas financeiras e transporte de dinheiro em espécie para Daniel Vorcaro, inclusive em malas.