Política
Lula, PT e Caiado defendem quebra de sigilo no caso Master
Lula afirmou ser urgente a "quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master"
Presidente Lula, o PT e candidatos à Presidência intensificam pressão pela divulgação das investigações envolvendo o Banco Master, enquanto Flávio Bolsonaro e Romeu Zema criticam decisões judiciais que afetam o comando da Polícia Federal.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o presidenciável Ronaldo Caiado (PSD) e o Partido dos Trabalhadores defenderam nesta quarta-feira (9) a quebra do sigilo das investigações relacionadas ao Banco Master, em meio à disputa entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a condução do caso. Outros presidenciáveis, como Romeu Zema (Novo) e Flávio Bolsonaro (PL), também se manifestaram sobre os desdobramentos da crise.
Lula afirmou ser urgente a "quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master", reforçando que o Brasil precisa conhecer a verdade. Caiado, por sua vez, protocolou petição no STF pedindo a divulgação das apurações não só do banco, mas também de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e de outros episódios envolvendo agentes públicos.
"É urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade."
Lula também criticou o que classificou como "vazamentos seletivos" e destacou a necessidade de transparência diante do impacto das informações sobre a disputa eleitoral de 2026.
O PT encaminhou pedido aos ministros André Mendonça e Flávio Dino, relatores das ações relacionadas ao caso. Segundo os advogados do partido, a manutenção do sigilo criou uma "publicidade seletiva", uma vez que informações dos autos vêm sendo divulgadas por vazamentos, enquanto outras permanecem protegidas.
A legenda questiona a atuação de Mendonça, alegando diferença de tratamento na divulgação das informações. Lideranças petistas afirmam que o ministro tornou públicas informações que favorecem Flávio Bolsonaro, enquanto dados relacionados a investigações sobre o senador e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro seguem sob sigilo.
Para o PT, a divulgação fragmentada dos autos pode interferir na disputa eleitoral, pois permite que terceiros escolham quais informações chegam ao público e em qual momento. Os advogados defendem que a publicação integral dos documentos permitiria confrontar os trechos já divulgados com o conteúdo completo das investigações.
Reações dos presidenciáveis
Ronaldo Caiado (PSD) também protocolou petição no STF pedindo o fim do sigilo das investigações relacionadas ao Banco Master, fraudes no INSS e outros casos envolvendo agentes públicos. Na petição, Caiado argumenta que o sigilo de investigações com potencial impacto eleitoral impede que os eleitores tenham acesso a informações que poderiam influenciar a escolha dos candidatos em 2026.
"Não faz sentido que o povo brasileiro vá às urnas às cegas. É absolutamente necessário que se abra aos olhos do Brasil tudo o que a Polícia Federal já tem, pois o eleitor precisa saber dos fatos para julgá-los no seu sufrágio."
Caiado também comparou a falta de informações à desinformação, ressaltando que a ausência de dados de interesse público pode ser tão prejudicial quanto as fake news para o processo eleitoral.
Romeu Zema (Novo) reagiu aos desdobramentos envolvendo a Polícia Federal, embora sem citar diretamente Flávio Dino. O ex-governador de Minas Gerais compartilhou nos stories do Instagram uma charge crítica à cobertura da imprensa sobre o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, determinado por Mendonça. A imagem faz referência ao que considera "dois pesos, duas medidas" na cobertura do episódio, comparando a decisão de Mendonça ao afastamento de Alexandre Ramagem em 2020 pelo ministro Alexandre de Moraes. Apesar disso, Zema não se manifestou sobre a quebra de sigilo do caso.
Já Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobrou uma intervenção do presidente do STF, Edson Fachin, na disputa sobre a direção da Polícia Federal. Antes de uma motociata em Juiz de Fora (MG), o senador afirmou esperar que Fachin suspenda a decisão de Dino que reconduziu Rodrigues ao cargo, mas não pediu quebra de sigilo das investigações.
Vale lembrar que Flávio Bolsonaro aparece entre os políticos que mantiveram contato com Daniel Vorcaro, e essas relações passaram a ser alvo de atenção após a divulgação de mensagens extraídas do celular do empresário, especialmente sobre o repasse de dinheiro para a produção do filme "Dark Horse", estrelado por seu pai. O caso ganhou dimensão eleitoral por envolver diretamente um dos candidatos à Presidência em 2026.
