Política

Maceió usa mais de R$ 150 mi da indenização da Braskem para subsidiar ônibus

O maior volume foi registrado em março deste ano

Por Blog Edivaldo Junior 04/09/2026 12h12
Maceió usa mais de R$ 150 mi da indenização da Braskem para subsidiar ônibus
. - Foto: Reprodução

A Prefeitura de Maceió utilizou mais de R$ 150 milhões de recursos da indenização da Braskem para subsidiar o transporte coletivo entre 2025 e 2026.

Levantamento feito pelo blog no Portal da Transparência do município identificou R$ 150,75 milhões em pagamentos ao sistema de bilhetagem com recursos classificados como “Compensação Danos Patrimoniais e Extra-patrimoniais” ou, em um dos empenhos, diretamente como “Transferência – BRASKEM – Termo de acordo”.

O maior volume foi registrado em março deste ano. Naquele mês, o Fundo de Transportes Urbanos pagou R$ 120,5 milhões ao Consórcio Operacional do Sistema de Bilhetagem Urbana de Maceió (SIMM). Desse total, R$ 120 milhões foram bancados com recursos da compensação por danos.

Foram seis pagamentos:

05/03 – R$ 30 milhões

12/03 – R$ 30 milhões

19/03 – R$ 14,3 milhões

19/03 – R$ 5,7 milhões

26/03 – R$ 10 milhões

26/03 – R$ 30 milhões

Na prática, 99,6% de tudo o que foi pago ao sistema em março saiu dessa fonte. O uso de recursos da indenização da Braskem no transporte, no entanto, não começou em 2026.

Em 2025, o levantamento encontrou outros R$ 30,75 milhões destinados ao subsídio tarifário.

Foram:

19/02 – R$ 4,912 milhões

05/05 – R$ 10,912 milhões

06/05 – R$ 4,926 milhões

24/11 – R$ 5 milhões

12/12 – R$ 5 milhões

No empenho de dezembro, a origem aparece de forma explícita no Portal da Transparência: “Transferência – BRASKEM – Termo de acordo – Recursos de Exercícios Anteriores”. Nos demais, a nomenclatura usada pelo município é “Compensação Danos Patrimoniais e Extra-patrimoniais”.

Somados os pagamentos de 2025 e 2026, o valor chega a R$ 150.751.933.

De onde sai o dinheiro

O subsídio ao transporte coletivo não representa, por si só, qualquer irregularidade. A Prefeitura utiliza recursos públicos para manter a tarifa abaixo do custo real do sistema e bancar benefícios como gratuidades.

O que chama atenção é a soma dos valores e o uso de uma receita extraordinária para financiar uma despesa permanente.

Em março, por exemplo, praticamente todo o pagamento ao sistema foi feito com recursos da indenização.

A informação reforça uma pergunta que ganhou força após cobrança feita pelo vereador Tácio Melo: quanto custa, de fato, o transporte público de Maceió e quais fontes estão sendo usadas para pagar a conta?

Tácio, que já comandou a área de transportes do município, classificou o sistema como uma “caixa-preta” e cobra mais transparência sobre o custo real da tarifa, os critérios dos repasses e a fiscalização dos pagamentos.

Além de saber quanto custa a passagem, é preciso saber quanto da indenização da Braskem já foi utilizado no transporte, por que essa fonte passou a financiar o subsídio e como a Prefeitura pretende sustentar essa despesa quando os recursos extraordinários se esgotarem.

Os números estão no próprio Portal da Transparência.

E mostram que, só entre 2025 e 2026, mais de R$ 150 milhões da indenização da Braskem foram usados para ajudar a pagar a conta dos ônibus em Maceió.