Política
Flávio evita apoiar fim da 6x1 e defende negociação com o patrão
Senador afirma que propostas podem tramitar juntas e diz defender liberdade na jornada
O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) evitou declarar apoio ou oposição ao fim da escala 6x1 e apresentou uma proposta alternativa para a jornada de trabalho. A ideia defendida por ele prevê maior liberdade para que empregados e empregadores definam a rotina de trabalho de acordo com suas necessidades.
Durante sessão no Senado nesta terça-feira (1º), Flávio afirmou que as duas propostas podem avançar simultaneamente e que sua preferência é pela alternativa que considera mais flexível.
“As propostas [fim da 6×1 e proposta alternativa] vão andar em conjunto, então não preciso escolher entre uma ou outra. Mas vamos defender essa proposta que é melhor, que vai dar liberdade ao trabalhador brasileiro. Aquele que não tem como trabalhar com uma jornada rígida vai ter possibilidade de trabalhar adequando-se à sua realidade, e aquele trabalhador que queira trabalhar mais horas, seja por qual motivo for, também tem a liberdade de poder trabalhar mais”, disse.
A proposta que trata do fim da escala 6x1 será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado nesta quarta-feira (2). Flávio é suplente do colegiado e poderá participar caso seja convocado diante da ausência de algum titular do PL.
Se aprovada pela CCJ sem alterações de mérito, a matéria seguirá para o plenário do Senado. Por se tratar de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), serão necessários 49 votos entre os 81 senadores para aprovação.
A discussão coloca Flávio diante de uma posição politicamente delicada. O fim da escala 6x1 é uma das principais bandeiras do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que pretende avançar com a medida antes das eleições de outubro. Uma pesquisa Quaest realizada em julho apontou que 69% dos brasileiros apoiam o fim da escala.
O senador, porém, tem evitado assumir uma oposição direta à proposta e busca apresentar uma terceira alternativa. Em entrevista à Record no domingo, ele defendeu que o trabalhador tenha autonomia para definir sua carga horária.
“Eu defendo a liberdade do trabalhador. O trabalhador vai trabalhar quantas horas ele quiser. Ele vai ter a flexibilidade, a liberdade de decidir e vai ser remunerado pela quantidade de horas que ele quer trabalhar”, afirmou.
A proposta defendida pelo senador prevê flexibilizar a relação entre empregados e empregadores em vez de estabelecer uma nova jornada diretamente na Constituição. A estratégia também busca evitar que uma eventual oposição à 6x1 seja interpretada como resistência à redução da jornada, tema que possui apoio expressivo entre os brasileiros.
Enquanto Flávio apresenta sua alternativa, o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), articula mecanismos para retardar a tramitação da PEC. Entre as possibilidades estão pedidos de vista, análise das emendas apresentadas e resistência a acordos que reduzam os prazos para a votação em dois turnos.
Flávio também deverá acompanhar de perto as articulações no Congresso durante sua passagem por Brasília. Na quarta-feira (2), ele retoma a agenda de campanha e viaja ao Rio Grande do Sul, onde participará de uma feira de agronegócio e fará gravações para o horário eleitoral de aliados.
Entenda a discussão sobre a escala 6x1
O que está em debate: a proposta em discussão no Congresso reduz a jornada de trabalho e acaba com a possibilidade de uma rotina regular de seis dias de trabalho para um de descanso.
O que defende o governo: Lula incorporou o fim da escala 6x1 às principais bandeiras de sua campanha e pressiona o Congresso para avançar com a mudança antes das eleições.
Onde está a proposta: a PEC passa pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado antes de seguir para o plenário, onde precisa ser aprovada em dois turnos.
O que diz Flávio: o candidato rejeita a fixação de uma nova jornada na Constituição e propõe maior flexibilidade para que trabalhador e empregador definam a quantidade de horas trabalhadas e a remuneração.
