Política

Boulos pressiona Senado por votação rápida da PEC do fim da escala 6 x 1

Governo trabalha para que a PEC seja votada rapidamente, o que exige acordo para contornar o intervalo regimental de cinco sessões entre os turnos de votação

Por Sputnik Brasil 25/08/2026 17h05
Boulos pressiona Senado por votação rápida da PEC do fim da escala 6 x 1
Boulos defende a conclusão do processo antes das eleições - Foto: © Foto / Rafa Neddermeyer / Agência Brasil

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, cobrou agilidade do Senado na votação da PEC que prevê o fim da escala 6 x 1, defendendo a conclusão do processo antes das eleições. A proposta já passou pela Câmara e, se mantida pelos senadores, poderá seguir diretamente para promulgação.

Na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o relator Omar Aziz (PSD-AM) informou que pretende apresentar seu relatório ainda nesta quinta-feira (27), o que pode viabilizar a análise da proposta tanto na comissão quanto no plenário em breve.

O governo trabalha para que a PEC seja votada rapidamente, o que exige acordo para contornar o intervalo regimental de cinco sessões entre os turnos de votação. Aziz afirmou que não fará mudanças no texto aprovado pelos deputados, buscando evitar que a proposta retorne à Câmara e garantir "a maior agilidade possível" à tramitação, mudando sua posição anterior sobre o tema.

Por outro lado, a oposição articula um pedido de vista na CCJ para adiar a análise. Aliados do senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), defendem que a mudança seja debatida com mais profundidade e não seja votada durante a campanha presidencial.

A estratégia é acompanhada pela campanha de Flávio Bolsonaro, que tenta evitar a votação da PEC do fim da 6 x 1 e da PEC da Segurança Pública antes das eleições. Apesar da resistência, aliados admitem que ambas as propostas têm chances de aprovação caso cheguem ao plenário, devido ao apelo popular das medidas.

No Senado, o ambiente político é considerado favorável à aprovação da PEC. Parlamentares avaliam que a oposição teria dificuldade para votar contra a redução da jornada em período eleitoral. Na Câmara, inclusive, deputados do próprio PL votaram majoritariamente a favor da proposta.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também intensificou a pressão pública pela aprovação da medida. Em publicações nas redes sociais na segunda (24) e terça-feira (25), Lula defendeu o fim da escala 6 x 1 sem redução de salário e afirmou que a proposta avançará no Congresso.

O presidente deve discutir o andamento da PEC em reunião nesta quarta-feira (26) com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). A expectativa do Planalto é destravar a tramitação da proposta durante o esforço concentrado previsto para a próxima semana.

Apesar da pressão do governo, aliados de Davi Alcolumbre indicam que o presidente do Senado ainda não sinalizou intenção de concluir a votação antes das eleições. A PEC precisa de 49 votos no Senado, em dois turnos, para ser aprovada.